Aprovada pelo presidente da república, a Semana Nacional de Prevenção da Gravidez na Adolescência acontece até a próxima sexta-feira (1º) e tem como objetivo promover ações e atividades que visam educar os jovens sobre a saúde reprodutiva. Embora a implementação da data expresse a preocupação em orientar sobre os riscos da gravidez precoce, os métodos contraceptivos de longa duração, comprovadamente mais efetivos, são os menos considerados por ginecologistas para adolescentes. Segundo a ginecologista e obstetra Thais Ushikusa, da Bayer, isso indica que o país necessita desenvolver uma política pública apropriada para essas meninas.

Dados divulgados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) mostram que a taxa de gravidez entre meninas de 15 e 19 da América Latina é a segunda mais alta do mundo. Pelos dados do estudo Critério Brasil, o planejamento familiar e o conhecimento sobre contracepção não atinge 68% dos brasileiros. Somado a isso, as mulheres nos países em desenvolvimento, como é o caso do Brasil, têm em média um número maior de gestações e, consequentemente, sofrem mais riscos de morte relacionada à gravidez. Conforme o levantamento, 60% das jovens de 15 a 19 anos já recorreram à pílula do dia seguinte.

De acordo com Organização Pan Americana de Saúde, a probabilidade de uma mulher com até 15 anos morrer em decorrência da gestação é de uma em 180 mulheres nos países em desenvolvimento, enquanto que naqueles que são considerados desenvolvidos a probabilidade é de 1 em 4,9 mil. Quando não morrem em decorrência de complicações da gestação, mulheres que não desejam prosseguir com a gravidez se arriscam em clínicas clandestinas para interrompê-la. Anualmente, o Ministério da Saúde regista 250 mil internações em decorrência de complicações no aborto, enquanto que, embora disponível no Sistema Único de Saúde (SUS), o DIU de cobre, que poderia ser um método de prevenção a gravidez eficiente e de baixo custo, é pouco ofertado às mulheres, principalmente as que não tiveram filhos. 

Métodos de longa duração

Atualmente, as formas mais populares de contracepção, que são as pílulas contraceptivas e os preservativos, dependem do uso correto para prevenir a gravidez. Os métodos de longa duração, conhecidos como LARCs na sigla em inglês, são os mais efetivos justamente por não dependerem da pessoa para que aja em totalidade e, indo contra a crença popular, são recomendados para adolescentes e jovens adultas que nunca tiveram filhos.

Ainda conforme a especialista, os LARCs englobam um grupo de métodos como o implante subcutâneo, o DIU de cobre e o DIU hormonal. De acordo com a série de recomendações da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), lançada no final de 2016, a orientação de adolescente quanto aos métodos para evitar a gravidez precisa incluir DIUs e implantes. Essa recomendação está alinhada com as orientações da Sociedade Americana de Pediatria e do Colégio Americano de Ginecologia e Obstetrícia, referências mundiais em saúde de adolescentes e contracepção. 

“Há a necessidade de apresentar todos os métodos disponíveis de contracepção quando se orienta uma adolescente, incluindo nessa lista os DIUs e implantes. Os LARCs são considerados primeira linha de escolha contraceptiva, inclusive para adolescentes, por terem as maiores taxas de continuidade e satisfação entre todos os métodos contraceptivos reversíveis, sendo mais eficazes e seguros para uso nesse grupo. Infelizmente, ainda não é comum que os médicos recomendem esses métodos para as pacientes, o que faz com que as jovens prefiram a pílula e a camisinha” explica Thais.

Pesquisa 

Desenvolvido pela divisão de pesquisa clínica e pelo departamento de obstetrícia e ginecologia da Washington University, o estudo Choice, realizado com mulheres de 14 a 20 anos nos Estados Unidos, mostrou que as adolescentes estão interessadas em métodos seguros e efetivos. Os LARCs tiveram um elevado grau de aceitação, sendo escolhidos por 69% das participantes após a oferta e a ampla explicação. Para a Organização Mundial da Saúde (OMS), é preciso reforçar o sistema de saúde para que sejam apresentados e oferecidos a adolescentes os diversos métodos disponíveis de contracepção, esclarecendo benefícios e riscos comparativos, enfatizando a correta forma de uso e propiciando livre escolha e fácil acesso.