Os órgãos têm muito mais a dizer sobre as emoções do que se imagina. A milenar medicina chinesa já conta que o intestino grosso e o pulmão podem sofrer com a tristeza e, por isso, é importante cuidar do emocional antes que os efeitos físicos sejam sentidos.

"Nosso intestino funciona de forma autônoma e não depende do cérebro para enviar comandos. O sistema do intestino tem cerca de 500 milhões de neurônios e, por tudo isso, o órgão é considerado nosso ‘segundo cérebro’, pois interfere no funcionamento do restante do organismo", explica o naturopata Daniel Alan Costa, especialista em Bases de Medicina Integrativa pelo hospital Albert Einstein.

Há cerca de seis anos, a Federação Brasileira de Gastroenterologia (FBG) realizou o primeiro estudo sobre a saúde intestinal da mulher brasileira com 3.029 entrevistadas e comprovou essa ligação. O resultado aponta que dois terços têm problemas como prisão de ventre, gases e inchaço. E, ainda, 89% dessas mulheres relataram variações de humor, e 88% menos concentração nas tarefas cotidianas. Ou seja, para cuidar da saúde física é necessário prestar muita atenção à saúde emocional. "Cada indivíduo tem uma história de vida, por isso é importante analisar todo o histórico antes de indicar a linha que será seguida no tratamento para solucionar determinada patologia", avalia o médico.

Não é incomum ouvir alguém dizendo que está com dor de barriga por estresse, ou que está 'enfezada' por algum motivo. Então, antes de sentir esses efeitos no corpo, o profissional enumera quatro cuidados com as emoções:

1) A tristeza pode provocar constipação por causar deficiência no QI (energia vital) do pulmão e, consequentemente, do intestino.

2) Preocupação excessiva diminui a circulação da energia do pulmão para o intestino, o que retém as fezes.

3) A raiva pode ressecar e causar estagnação na energia vital do fígado e afetar o intestino também.

4) Pacientes que meditam percebem uma melhora no funcionamento intestinal, com a diminuição da ansiedade e do estresse.