Foram meses de planejamento para a oficialização da união de dez anos. Quando ficaram noivos, no ano passado, não quiseram saber de enrolação: decidiram que se casariam logo. Começaram no mês de outubro as preparações para a cerimônia, que tinha data marcada para o dia 25 deste mês. Mas Natália Cunha, 27 anos, teve um imprevisto que nem o mais preparado dos cerimoniais poderia prever: a pandemia do coronavírus e o seu rápido avanço pelo mundo.

“Até a semana anterior da decisão de adiar, conversando com a cerimonial, eu achava que não teria essa necessidade. Mas tudo avançou muito rápido. O que a gente estava conversando cinco dias antes, mudou completamente”, conta Natália. Ela, que é médica, estava acompanhando de perto o cenário mundial em razão do coronavírus e, em poucos dias, chegou à conclusão de que a data do casamento coincidiria com o período de pico do vírus no Brasil. “Achamos mais prudente não seguir com os planos e, na semana seguinte, a OMS (Organização Mundial da Saúde) deu a definição de pandemia”, relembra. “Mesmo que não tivesse saído nenhum decreto, não teria clima de comemoração. Nem eu nem os convidados ficaríamos confortáveis de estar em festa, em um local fechado.”

Ela e o noivo, Lucas Oliveira, tiveram de optar por cancelar ou adiar o evento, decisão que foi difícil por uma série de fatores. “Como houve muitos adiamentos para o segundo semestre, tivemos de flexibilizar várias coisas com os fornecedores. Começando pelas datas disponíveis, que não eram as ideais pra gente”, explica. “Acabou ficando para o dia 16 de outubro, uma sexta-feira – dia da semana que não queríamos, mas que aceitamos. Para quem não queria ficar noiva por muito tempo, vou acabar completando um ano”, brinca.

Natália conta que uma das motivações para não cancelar a cerimônia foram os contratos que já haviam fechado com os fornecedores. “Tínhamos uma responsabilidade com eles e não queríamos deixar ninguém na mão. Esse é um momento difícil para todo mundo e temos de pensar no outro lado também.” Quanto à resposta por parte dos contratados, ela revela que foi a melhor possível. “Com a ajuda da cerimonial, fomos conversando com um a um. Me surpreendi bastante e positivamente: foram todos muito empáticos. Dos de maiores contratos aos menores, os fornecedores acompanharam tudo, sabiam da nossa empolgação com a festa e se disponibilizaram a se reorganizar junto com a gente”, diz. “Teve até caso de quem nem tinha disponibilidade nessa nova data e que vai arranjar equipes especiais para o dia.”

Além de toda a questão prática de reprogramar a festa, quem está passando pela situação de ter de cancelar ou adiar suas comemorações precisa lidar com mais uma série de situações. “É muito difícil. A gente cria uma expectativa muito grande, não só para a data em si. Tem a lua de mel, que também foi adiada. No nosso caso, vinha gente de fora – da Alemanha, dos Estados Unidos, uma série de reencontros com pessoas queridas. Não deixa de ser uma frustração”, explica.

Uma semana antes do casamento aconteceria o chá de panela dos noivos, que também ganhou nova data. “Ainda não tínhamos certeza do que estava por vir, mas já se falava de isolamento social. Tinha pessoas que viriam de São Paulo para participar, que poderiam ter tido contato com pessoas contaminadas e não seria prudente expor ninguém a isso tudo.” O ensaio pré-wedding, que aconteceria no início de abril, também entrou na lista de compromissos adiados.

Mesmo com tantos planos frustrados, Natália prefere manter-se positiva. “Não foi nenhum imprevisto pontual, estamos tratando de uma situação global. Foi inesperado, mas estamos lidando bem”, garante. “Queremos casar no civil antes e nosso apartamento já está quase pronto. Assim que estiver tudo organizado, nos mudamos para a nossa casa, nosso cantinho.” A reforma do espaço, no entanto, também está sofrendo os impactos da pandemia: o prédio precisa fazer o controle de pessoas que entram e saem diariamente, o que pode atrasar a entrega.

Os cartórios estão limitando os casamentos civis, mas a noiva acredita que será possível realizar antes da nova data da cerimônia. “Nossa união é a prioridade. Para nós, o que realmente importa não é a festa em si, ela será a cereja do bolo. Nesse momento, o sofrimento é geral, no mundo inteiro, mas estamos saudáveis, juntos e bem – e disso não podemos reclamar.”