Desde 2013, uma resolução do Conselho Federal de Medicina (CFM) permite, legalmente, que casais homoafetivos realizem o desejo de ter filhos no Brasil e disponibiliza tratamentos de reprodução assistida que possibilitem a gestação de um filho biológico. A fertilização in vitro é um procedimento válido tanto para casais femininos quanto masculinos. O tema ficou em evidência recentemente quando o humorista Paulo Gustavo e o marido, o dermatologista Thales Bretas, tornaram-se pais dos gêmeos Gael e Romeu, em agosto de 2019.

As servidoras públicas Samantha Nunes de Oliveira, de 44 anos, e Marina Bastos Silva, 39, sentiram o gostinho da maternidade com a chegada da pequena Elisa, de 3 anos. Juntas há 16 anos, elas sempre adiaram a maternidade. O foco era a vida profissional e a conquista da estabilidade financeira. “Marina sempre quis ser mãe e, quando chegou o momento ideal, partimos para a realização do nosso sonho com ajuda da reprodução assistida”, conta Samantha.

O primeiro desafio para casais femininos é decidir pelo uso do banco de sêmen humano, instituição que coleta, processa e armazena esperma para auxiliar casais com dificuldades de engravidar. “Apesar do anonimato, há uma série de características físicas, doenças hereditárias e até signo que você sabe antes da escolha do doador. Escolhemos características que mais pareciam conosco”, explica. A outra decisão é qual das duas mães vai gerar a criança.

Nesse caso, normalmente há duas possibilidades: existe a opção das parceiras participarem do processo – enquanto uma tem os óvulos fecundados, a outra continua a gravidez quando os embriões obtidos são colocados em seu útero. A outra opção é a escolha da parceira que terá os seus óvulos fecundados por espermatozoides doados e sendo a mesma pessoa que gerou o bebê. No caso da casal, foi Marina quem engravidou e deu à luz a garotinha que mudou – para melhor – a vida das mamães.