De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (Inca), foram registrados 61.200 novos casos de câncer de próstata no Brasil em 2016. O número foi maior, inclusive, que os casos de câncer de mama, que incidiu em 57.960 mulheres. Mas o novembro azul está aí para lembrar que fazer exames regulares e ter um diagnóstico precoce pode levar à cura completa da doença.

Preconceito que mata

Segundo o médico urologista Antônio de Moraes Júnior, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), muitas vezes o homem não faz o exame para um diagnóstico por falta de informação. “É por falta de instrução, oportunidade, conhecimento sobre a importância do toque retal. E quem incentiva o homem a ter uma postura diferente é a mulher. Ela tem mais consciência da prevenção”, afirma.

Quanto antes se descobrir a doença, melhor. E com o aumento da idade, aumentam também as chances de um diagnóstico positivo. “Um homem com 80 anos tem 50% de chance de ter câncer. Homens com 90 anos tem mais de 90%. Existe um estudo que diz que a cada seis homens, um vai ter câncer de próstata. A cada 24 minutos, temos um diagnóstico positivo. No Brasil, a cada 33 minutos morre uma pessoa por câncer de próstata. É alarmante”, aponta o especialista.

A mulher cuida

O contador Olimarci Santos da Silva, 62, foi estimulado pela esposa a fazer a prevenção. Ele conta que tinha um certo preconceito com o exame de toque, mas entendeu a importância da avaliação. “Hoje também temos opção de fazer outros procedimentos além do toque. Então está muito mais moderno e muito mais tranquilo”, afirma.

A esposa dele, Odilair Garcia Valente, 64, funcionária pública, acha que é fundamental que o homem faça a prevenção a partir dos 50 anos. “É muito importante fazer exames preventivos. Quando o assunto é doença, quanto antes a gente descobrir, melhor para tratar”.

Doença silenciosa

O vice-presidente da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), médico urologista Antônio de Moraes Júnior, faz o alerta de que o câncer de próstata não apresenta sintomas prévios, daí a importância de exames preventivos

Quais são os sintomas do câncer de próstata?

Esse é o grande problema: ele não traz sintomas. Quando apresenta algum sinal é porque já está em estágio avançado. Exatamente por isso a gente tem que fazer o preventivo, por ser uma doença silenciosa. Falamos em fazer o “rastreamento”, mas alguns dos sintomas - dificuldades para urinar, passar a levantar durante a noite para urinar - já são um sinal de que a próstata cresceu, embora não necessariamente em função de um câncer.

É uma doença hereditária?

Sim. Tem uma ligação genética muito grande. Se o pai do paciente tem câncer de próstata, ele tem o dobro de chance de ter. Se dois parentes tiveram, aumentam de três a cinco vezes as chances de ter. Então, a mensagem é a prevenção. A consulta para diagnóstico precoce do câncer da próstata pode levar a uma cura de 90% dos casos. Não existe 100%, mas esse índice já é muito expressivo.

Quando começar a se preocupar? 

A Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) estipula que se o paciente tem um histórico familiar da doença, ele deve fazer o exame com 45 anos. Se não tem, após os 50. As pessoas negras e obesas também têm o dobro de chance. Essas se enquadram no grupo de risco e devem fazer o exame a partir dos 45. 

Quais são os outros exames além do toque?

É bom que fique claro que o toque retal é fundamental. Mas além do toque, tem o exame do Prostático Específico (PSA), que também consegue verificar suspeitas da doença. Caso esses exames vejam alguma coisa, fazemos uma biopsia da próstata por ultrassonografia e é ela que fecha o diagnóstico. 

Quanto tempo dura o exame de toque?

Cerca de 10 segundos e não viola a masculinidade. Não é doloroso e não é invasivo. Ao contrário do que muitos homens pensam, esse exame traz informações importantíssimas.

Câncer da próstata tem uma causa?

Como todos os cânceres, existem os fatores que predispõem a doença. As pessoas negras ou com histórico familiar, por exemplo, têm predisposição a ter a doença. O tabagismo também é uma causa. 

Quais são as formas de tratamento? 

Quando descoberto o câncer, temos tratamentos que levam a cura: por cirurgia ou radioterapia. Temos a cirurgia robótica, videolaparoscópica e cirurgia aberta. Sobre a radioterapia, temos as opções de radioterapia com intensidade modulada (IMRT), e a braquiterapia, e não podemos esquecer que temos o HIFU, que é o ultrassom de alta intensidade. Esses métodos podem levar a cura total do câncer, quando diagnosticado no período certo.