A modelo e influenciadora digital Nara Almeida morreu nessa segunda-feira (21). Em setembro de 2017, Nara foi diagnosticada com câncer no estômago e travou uma batalha pública contra a doença. A influencer compartilhava a luta pela vida com mais de 3,7 milhões de seguidores no Instagram e conquistou fãs, amigos e o apoio de celebridades. Por conta do tipo de câncer que a acometeu, uma metástase no peritônio rara em mulheres com menos de 25 anos, Nara só conseguia ingerir líquidos e recebia nutrientes por sonda. A doença também avançou para outros órgãos, como fígado e pâncreas, o que diminuiu drasticamente a perspectiva de cura.

Segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), o câncer de estômago é o quinto mais comum no Brasil. Também conhecido como câncer gástrico, o câncer de estômago se apresenta em 95% dos casos como adenocarcinoma, tumor originado em células que revestem a parte interna do órgão. A doença pode se disseminar, invadindo outros órgãos, vasos linfáticos e linfonodos próximos. 

Existem outros tipos mais raros de câncer de estômago, como o linfoma, o leiomiossarcoma e o tumor carcinoide. De acordo com o oncologista Felipe Ades, do grupo Oncoclinicas, "o desenvolvimento da doença costuma acontecer de maneira muito lenta". "Ao longo dos anos, as alterações pré-cancerosas podem ir surgindo, devagar, nas células da mucosa do estômago. Como isto raramente causa sintoma, essas alterações podem passar despercebidas ou podem ser confundidas com outras doenças. No caso da Nara, o diagnóstico pode ter sido ainda mais difícil porque esta é uma doença rara entre as pessoas jovens ", comenta o especialista. 

Detecção precoce é essencial

Por apresentar muitos sintomas inespecíficos, comuns a outras doenças, o paciente demora a buscar apoio especializado. Entre os sinais do câncer de estômago estão a perda de peso, cansaço, falta de apetite, náuseas e vômitos, sensação de má digestão, azia e desconforto abdominal persistente. Sangramentos gástricos (mais incomuns), sangue nas fezes, fezes escuras, pastosas e com odor muito forte (indicativo da presença de sangue oculto) também são alguns sintomas. 

Segundo Felipe, diante da suspeita de câncer de estômago, dois exames estão entre os mais frequentes para o diagnóstico da doença: modernamente se usa a endoscopia digestiva alta, porém ainda pode ser usada a radiografia do estômago com contraste. "A endoscopia permite a avaliação visual direta da lesão e a realização de biópsias para confirmação do diagnóstico por meio do exame anatomopatológico. Através da boca um tubo fino e flexível com uma câmera na ponta é conduzido até o órgão. O paciente é sedado para sentir menor desconforto. O exame é feito com o paciente dormindo, algumas vezes", explica. 

Já na radiografia, o médico analisa o filme radiográfico em busca por áreas anormais ou tumores. Após a confirmação patológica da presença do tumor através do exame de biópsia, é importante que se façam os exames para estadiamento, ou seja, quantificar o tamanho da doença no corpo. "Esses exames podem variar, mas comumente incluem a tomografia computadorizada de abdômen e pelve, a radiografia simples ou tomografia de tórax e exames de sangue", comenta o Felipe.