Os ácidos graxos de cadeia longa (EPA) e (DHA) são gorduras poli-insaturadas da classe dos ômegas 3 que podem ser obtidas pela ingestão de peixes ou via cápsulas concentradas do óleo extraído dessa fonte. Mas, apesar de terem a mesma classificação e origem, esses nutrientes têm características e funcionalidades distintas na saúde.

O DHA está presente em abundância nas membranas celulares de todos os órgãos do corpo, com destaque para o cérebro e a retina ocular, além de ser facilmente absorvido pelo intestino. Já o EPA aparece em quantidades mínimas nessas estruturas orgânicas e apresenta digestão mais difícil, o que faz com que seja constantemente oxidado e utilizado como energia, ficando, muitas vezes, em falta no organismo.

Por desempenhar uma importante função estrutural nos órgãos e sistemas, sobretudo no cérebro, o DHA é considerado um neuronutriente que atua diretamente na proteção do sistema nervoso central e na prevenção de doenças neurodegenerativas. O EPA, por sua vez, apresenta-se mais associado à diminuição de inflamações no organismo, colaborando para a prevenção de diversos males, principalmente os de origem cardiovascular.

Por essas peculiaridades, os ômegas 3 EPA e DHA devem ser consumidos de acordo com diferentes necessidades e para fins específicos ao longo da vida. Abaixo, a consultora científica Maria Inês Harris comenta a indicação mais adequada desses ácidos graxos para cada faixa etária.

Gestação e primeira infância

Dentro da barriga da mãe o bebê precisa de nutrientes para desenvolver todos os órgãos e sistemas, principalmente o cérebro. Durante a primeira infância, até a fase escolar, a criança necessita de uma nutrição que a permita desenvolver sua capacidade de raciocínio e aprendizagem. Neste caso, o ácido graxo mais recomendado é o ômega 3 DHA, que favorece a saúde do sistema nervoso central e previne desordens neuronais que podem afetar o crescimento e desempenho dos indivíduos. A exceção é dada a crianças que já manifestam problemas cognitivos para as quais o EPA demonstra-se mais eficaz, segundo pesquisas.

Infância

Após os cinco de anos de idade, o processo de desenvolvimento cerebral e do sistema nervoso desacelera e, com isso, a demanda por DHA no organismo também. Nesta fase, porém, é aconselhável manter a ingestão de DHA, uma vez que o lipídio está associado à melhora da concentração, aprendizagem e sociabilização, inclusive, favorecendo o controle emocional. Outros quadros comuns entre as crianças e que podem ser amenizados com o consumo adequado de DHA são: pele ressecada e males do trato respiratório, desde alergia até asma.

Adolescência e fase adulta

Da infância até a terceira idade é possível atender a maior parte das necessidades do organismo por meio da ingestão de nutrientes naturais, entre eles, o óleo concentrado de ômega 3 EPA. Na maioria das vezes, os níveis dessa gordura encontram-se baixos entre adolescentes e adultos e é preciso garantir uma adição desse nutriente na dieta, a fim de diminuir o risco de doenças. A suplementação de ômega 3 EPA e DHA, principalmente durante a fase adulta, pode colaborar para a prevenção de diversas patologias adquiridas, desde desordens mentais até complicações cardíacas, articulares, ósseas e doenças neurodegenerativas, como Parkinson e Esclerose Múltipla.

Terceira idade

Após os 60 anos, a função cognitiva e a saúde cerebral voltam a ser preocupações da vida humana. Mas, ao contrário do que ocorre na infância, o objetivo nessa fase é apenas manter essas condições. Preservar níveis elevados de DHA e EPA no sangue demonstra-se um método eficaz para prevenir o declínio cognitivo e a progressiva invalidez, bem como a perda da memória. Por outro lado, quando já há um diagnóstico confirmado de doença neurodegenerativa, como Alzheimer e demência, o DHA passa a ser fundamental para o tratamento, a fim de fornecer apoio estrutural para a desaceleração da deterioração do cérebro. Por isso é importante que o paciente faça a suplementação do nutriente por meio de cápsulas com alto teor de EPA e DHA. Assim, ele atuará como protetor do tecido cerebral e de suas funções. Não deixe de procurar seu médico!