Basta pensar nas tradições familiares goianas que já vêm à memória os grandes quintais das casas das avós; casas espaçosas e mesas repletas de comida com a família toda reunida aos domingos. Faz parte dos nossos costumes receber amigos e ter a casa sempre cheia, mas ao longo do tempo os espaços foram diminuindo de tamanho e, por causa da segurança, muitas famílias preferiram trocar as casas por apartamentos.

Essa escolha, durante algum tempo, causou estranheza e resistência dos mais velhos. Por outro lado, trouxe a oportunidade de morar em locais mais centrais da cidade, com melhor infraestrutura, praticidade e mais segurança. A boa notícia é que, assim como o comportamento do consumidor, o mercado também foi mudando e refinando tendências. As empresas começaram a oferecer opções para atender a todos os formatos de famílias e orçamentos, lançando empreendimentos de alto padrão ou populares, tanto em bairros consolidados como naqueles em desenvolvimento.

Além do aumento da procura dos goianienses por apartamentos, moradores de outros estados também começaram a buscar Goiânia. Segundo o presidente da Associação das Empresas do Mercado Imobiliário de Goiás (Ademi-GO), Roberto Elias, a capital passa por uma fase muito boa no mercado imobiliário. Por ser um polo educacional, atrai famílias do Tocantins, Mato Grosso e Pará, que buscam a capital goianiense como primeira ou segunda moradia. O polo farmacoquímico de Anápolis e o polo industrial de Aparecida de Goiânia também ajudam a puxar a procura. 

“Vários bairros na capital estão tendo demandas. No caso de alto padrão, o destaque é o Jardim Goiás e as proximidades do Parque Areião, além do Setor Marista e, recentemente, o Setor Aeroporto, que voltou a ser muito procurado, já que há muito tempo não recebia lançamentos. No caso de imóveis mais populares, a região do entorno de Goiânia, como Aparecida de Goiânia nas proximidades do Buriti Shopping, atrai lançamentos de apartamentos menores e mais baratos”, afirma.

Um dos principais motivos pelos quais as pessoas têm escolhido apartamentos é a possibilidade de ter um espaço privado confortável e, ao mesmo tempo, desfrutar dos serviços que o condomínio oferece como segurança, lazer e praticidade. Sendo o tempo e o conforto quesitos importantes nos dias atuais, os moradores procuram por facilitadores de suas rotinas. Assim, os condomínios atuais oferecem academia, piscina, área de lazer com churrasqueira, salão de eventos, lavanderia e diversos outros serviços sem que o morador precise sequer atravessar a rua. E o melhor: não é preciso gastar tempo com a manutenção diária de nada disso.

Para todos os gostos

Dentre as diversas opções disponíveis no mercado de apartamentos, uma das características que chamam a atenção na hora de escolher o imóvel mais adequado ao estilo de vida e ao bolso do comprador é a metragem. Lofts e flats normalmente têm apenas um quarto e tamanhos de 35 a 55 m². Já os apartamentos compactos podem ter de 2 a 3 quartos e medir entre 60 e 90 m². Os médios variam de 100 a 140 m² e, a partir de 150 m², são considerados apartamentos grandes. Alguns, inclusive, ultrapassam os 300 m².

Apesar de importante, o tamanho não tem sido fator decisivo. Nos imóveis modernos, a planta e a integração dos ambientes acabam falando mais alto. É uma tendência os apartamentos com metragens menores e ambientes mais amplos ou com menos ambientes e mais espaço de integração. Detalhes de arquitetura e decoração podem transformar qualquer pequeno espaço em um local confortável e multifuncional.

Dicas valiosas

“Ao projetar moradias levamos muito em conta os anseios dos moradores pelo novo lar, o que nos possibilita criar espaços adequados e com personalidade. Temos a filosofia de não descartar o passado, pois acreditamos que devem ser mantidos certos elementos, móveis e objetos pessoais e afetivos que acabam contando a história de quem habita”, explica a arquiteta Marília Bonomi, do escritório de arquitetura e urbanismo Bonomiveras.

De acordo com a arquiteta e sócia de Marília, Fernanda Veras, é possível transformar espaços pequenos em ambientes-chave na residência. Seja qual for o tamanho do apartamento, espaços integrados e abertos são interessantes. “A área social de uma casa ou de um apartamento geralmente é muito mais aproveitada quando integramos os ambientes de estar, de assistir TV, realizar as refeições e cozinhar. O mundo atual e as relações do homem com a tecnologia também transformam o espaço que habitamos. A vida isolada que a tecnologia nos proporcionou pede muito mais espaços integrados onde as pessoas possam conviver e resgatar as relações em família”, afirma.

Nesse sentido, alguns truques podem ajudar a dar a sensação de conforto em apartamentos pequenos, como a velha tática de aplicação de espelhos em paredes. A arquiteta Carolina Gama, do escritório Gama Archdesign, também dá dicas para apartamentos medianos e grandes. “No caso de apartamentos médios, a ideia de conforto e comodidade se dá pela maior circulação nos espaços e também há a maior possibilidade de amplitude real entre os ambientes, como os lofts, que possuem uma proposta mais aberta, justamente para proporcionar essas sensações.”

Em apartamentos maiores, além da integração dos ambientes para melhor circulação entre eles, as opções de conforto são mais flexíveis. “Podemos propor opções de lazer sem precisar sair de casa e separar visivelmente a área social da área íntima. Com suítes em todos os quartos é possível tornar o espaço íntimo ainda mais privativo”, diz a arquiteta.

“Qualquer cantinho da casa possui diversas maneiras de ser aproveitado. Basta planejamento, criatividade e algumas cuidados como, por exemplo, preferir tons mais claros e secos, que refletem mais luz, e também móveis multifuncionais, pois é legal poder fazer de tudo um pouco no ambiente”, complementa Carolina, acrescentando que, para lugares pequenos, o ideal é investir em objetos menores. Eles dão a sensação de que o móvel é maior. “Se precisar de mesas, recomendo o uso da transparência no tampo e formatos redondos, pois possibilitam maior acomodação de pessoas em volta. Bancos e cadeiras sem estofado também ocupam menos espaço e são ótimos objetos para ter em uma cor mais forte”, recomenda.