A relação das pessoas com o seu próprio lar está em constante mudança. Por exemplo: se há alguns anos a cozinha estava associada à área de serviço, hoje ela ganhou o status de coração da casa e se tornou protagonista nos empreendimentos imobiliários.  “As pessoas querem estar no seu lar, se sentindo bem, podendo receber visitas ou desfrutar da família enquanto preparam seu alimento. Então, a cozinha, o estar e o jantar se transformaram no mesmo espaço, um local de interação. Esse novo olhar reflete uma reformulação no que diz respeito aos ambientes sociais”, explica a arquiteta Ana Maria Miller.

Nesse contexto, a integração de ambientes é um recurso que amplia e aproxima diferentes espaços, visando maior aconchego e intimismo para o cotidiano, além de facilitar a fluidez para o convívio interpessoal. “As pessoas perceberam o privilégio de comer bem e de forma saudável no conforto de suas casas. Tudo isso resultou no conceito de integração com a cozinha. Quanto mais o projeto puder proporcionar momentos em que a família possa estar junta, é melhor. O projeto de interiores em ambientes integrados se torna mais caloroso”, analisa a arquiteta. 

A socióloga paulista Márcia Ferreira Bilia, que reside em Goiânia desde 1974, aposta nessa integração entre os ambientes. “Ambientes para reunir a família é o que todos nós queremos. Cozinhar e receber amigos no aconchego do nosso lar”, pontua a aposentada.  

Alimentação como evento

Para nutricionista Carol Morais, essa modificação nas plantas dos lares com a integração da cozinha e a varanda gourmet contribuiu para que essa dinâmica de receber em casa, transformasse a refeição em um evento. “A pessoa que estava preparando a comida ficava isolada do grupo, reunido na sala de estar. O novo formato de integração dos ambientes permite uma interação maior entre as pessoas."

A profissional destaca que esse hábito de receber em casa colabora para estimular uma relação saudável e positiva com os alimentos. “Ajuda a entender a comida como algo prazeroso, um elemento social. E, é possível manter uma dieta saudável, mesmo em encontros sociais com pessoas que tenham preferências distintas. Manipular a própria refeição, poder escolher os ingredientes e a receita, cria uma melhor percepção dos alimentos”, garante.