Sabe quando você acorda no meio da noite com o coração disparado e a lembrança de uma situação em que foi traída, maltratada, agredida, trapaceada ou humilhada por alguém? Ou quando você está em uma conversa agradável com umas amigas e, de repente, do nada, se pega recordando de uma pessoa que te fez muito mal? E aquele momento em que você passa horas recordando a tal situação e pensando em mil maneiras que o “universo” poderia realizar uma vingança contra a pessoa que te fez mal? Porque você não teria coragem de prejudicá-la, mas se a vida se encarregasse de se vingar por você não seria nada mal, não é mesmo? 

Bem, se você já viveu uma dessas situações ou outras parecidas, é porque está precisando experimentar passo 7 dessa nossa jornada para uma vida mais feliz. Opa! Calma aí! É claro que passo 7 não é a vingança. Na verdade, é o remédio para ela e para todo o mal que essa situação está te trazendo. Ainda não sabe o que é? Entendo. Quando estamos muito magoadas, decepcionadas, humilhadas, indignadas e traídas, não queremos pensar nessa palavrinha mágica. Pelo contrário. Queremos ela bem longe da gente. Porque se ela chegar aos nossos corações, teremos que abrir mão do lugar de vítimas da maldade alheia para nos tornarmos responsáveis por esse veneno que estamos consumindo diariamente, que é a nossa mágoa, raiva, rancor e ressentimento.

Veja também os outros passos

Eu sinto muito, mas eu preciso te apresentar o passo 7 para uma vida mais feliz: o perdão. Ele mesmo! Esse queridinho do nosso bem-estar e da nossa saúde, mas que, muitas vezes, é tão difícil alcançar. Dá para entender como podemos resistir a algo que nos faz tão bem e como podemos receber de braços abertos algo que nos faz tão mal como a mágoa, o ressentimento e, o pior de todos, o desejo de vingança? Sim. Dá para entender.  Dá para entender porque palavras e atitudes capazes de provocar ressentimento e rancor a longo prazo, geralmente, partiram de pessoas próximas a nós e que muitas vezes tínhamos em alta conta. Isso quando não amávamos muito. Então, abrir mão do ressentimento e dar espaço para o perdão é como se estivéssemos desocupando o lugar de vítima da situação. É como se perdêssemos o posto de “eu estou certa e o outro muito errado”. 

Mas não é bem assim, sabia? Perdoar não é aceitar os erros do outro e muito menos se julgar merecedora de receber a ofensa. Perdoar é enxergar o outro com compaixão, é reconhecer as fraquezas e limitações dessa pessoa, que a impedem de agir de uma forma mais digna e honesta. Perdoar é se colocar no lugar de aprendiz e extrair do sofrimento provocado pela ofensa a maior sabedoria possível. Podemos aprender com os erros dos outros, sim. Aprender como não queremos agir, aprender a cuidar melhor de nós, aprender a nos defendermos, aprender a nos conhecermos melhor, aprender a reconhecermos os sinais que os outros nos dão de que podem aprontar com a gente... São tantos aprendizados que uma situação como essa pode nos trazer. 

Mas se ficamos presas ao ressentimento, perdemos energia só com a dimensão ruim da situação e não aproveitamos a oportunidade para nos tornarmos mais fortes e resilientes. Perdoar é libertador porque nos liberta do passado de sofrimento e nos projeta para um presente e um futuro de mais paz e tranquilidade. O ressentimento nos aprisiona ao passado e nos priva de aproveitar o potencial de realização e felicidade que o presente nos oferece. É um veneno que tomamos dia a dia que vai intoxicando nosso corpo, nossas emoções e nossos pensamentos. O ressentimento pode criar raízes dentro de nós, transformando-se em rancor profundo, levando-nos a um estado constante de amargura, raiva e indignação. 

Perdoar é liberarmos essas memórias dolorosas, abrindo espaço para sentimentos mais saudáveis e para seguirmos em frente. Apegar-se a essas memórias ofensivas é bombardear nosso corpo com o estresse e as emoções destrutivas que elas carregam.  Mas, se você está ressentida com alguém, deve estar se perguntando: “Como eu posso praticar o perdão?  Parece algo tão difícil, para não dizer impossível”. Eu não estou dizendo que perdoar é fácil. Não mesmo! Perdoar é um processo e pode levar um tempo considerável até que você sinta o perdão verdadeiramente em seu coração. Mas é preciso escolher perdoar.

Tomar uma decisão consciente de exercitar a compaixão pelo seu ofensor e fazer um esforço constante para não alimentar as ruminações constantes do rancor. É preciso decidir deixar de ser refém dessa ofensa e tomar as rédeas de suas emoções e pensamentos. É preciso fazer um compromisso com o perdão e confiar que o melhor em você vai se manifestar, para que possa seguir em frente só com os aprendizados e não com a ofensa. E quando eu disse que o perdão é um processo é porque ele vai chegando aos poucos no seu coração e vai tomando cada vez mais o espaço do rancor e do ressentimento. E com essa intenção constante de se libertar dessa toxina emocional que é o rancor, ele vai se enfraquecendo e, gradativamente, você vai se percebendo mais livre. É essa tal felicidade chegando para ocupar cada vez mais espaços dentro de você.  

*Yara Carvalho é pedagoga, psicopedagoga e especialista emocional. Tem pós-graduação em Psicologia Analítica e Psicologia Transpessoal e várias formações na área de desenvolvimento humano, inteligência emocional, relacionamentos interpessoais e Psicologia Positiva. É facilitadora de programas de autoconhecimento e desenvolvimento da inteligência emocional e de workshops para pais que desejam investir em seus relacionamentos familiares e na educação emocional dos filhos. 
 
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