No livro A Força da Bondade, Sharon Salzberg escreveu: “Este tipo de preocupação compulsiva com o ‘eu, mim e meu’ não é o mesmo que amar a nós mesmos. Amar a nós mesmos nos conduz a habilidades como resiliência, compaixão e compreensão, que são simplesmente parte de estar vivo”. A autocompaixão é um caminho de paz que trilhamos todas as vezes que a nutrimos e é uma alternativa perfeita para o fortalecimento da autoestima feminina. Por essa ótica, a autocompaixão é fundamental e necessária a todo processo de autocuidado, que deve permear o processo de emagrecimento de qualquer mulher. 

Por definição, a autocompaixão implica ter empatia em relação ao próprio sofrimento, algo que raramente nós, mulheres, fazemos conosco. Somos habilidosíssimas em compaixão quando ela se dirige ao outro, pois tudo em nossa cultura e no nosso cérebro dotado de estruturas que nos levam a esse sentimento com facilidade cooperam para isso. Mas o que acontece quando precisamos desempenhar essa habilidade em nós mesmas e sentir autocompaixão?
 
Acontece que a maioria de nós é extremamente crítica em relação a si, o que culmina, via de regra, em uma autoavaliação negativa. Quando uma mulher compara o próprio peso ou o formato do corpo com o de outra mulher (e na atualidade basta abrir a conta do Instagram para facilmente encontrar modelos, celebridades, blogueiras e até mesmo mulheres comuns exibindo os corpos), inicia-se o processo de avaliação negativa de si, o que acaba por causar profunda dor emocional e autodepreciação. 

Vivemos uma era em que não basta mais ser mulher. Precisamos ser inteligentes, malhadas, interessantes, sociáveis, sexies, bem-sucedidas, viajadas, espiritualizadas e, algumas, ainda se veem obrigadas a gerar status no Instagram, já que, afinal de contas, a quantidade de curtidas e comentários contam pontos na corrida pelo pódio. Mas o que acontece quando nos deparamos com a realidade de que, por mais que nos esforcemos para preencher todos os requisitos acima, isso não será o suficiente, pois existe sempre outra mulher sendo ainda “mais” que você e eu? 

Acontece que tal situação é a semente para a baixa autoestima feminina, queixa cada vez mais presente nos consultórios psicológicos. A autocompaixão, nesse contexto, resplandece como um caminho mais gentil e saudável, pois nos permite um reconhecimento de quem realmente somos sem críticas, além de proporcionar uma aceitação de nossas limitações. É saudável que da mesma forma que aceitamos (por meio da compaixão e da empatia) os outros, nos aceitemos. 

Ela nos protege da necessidade de sermos perfeitas em tudo e, assim, podemos ser quem realmente somos, sem máscaras que muitas vezes são usadas para esconder o vazio existencial desses tempos compulsivos em que vivemos. Quando autocompassivas, podemos aplacar o sentimento de competitividade que permeia o universo feminino, permitindo compreender que, se houvesse mais gentileza entre nós, sofreríamos menos as consequências dessa violência a que fomos expostas e que, sem perceber, egoisticamente alimentamos.

Outra vantagem é que, ao cultivar a autocompaixão, desenvolvemos pensamentos positivos e estados mentais como otimismo e felicidade, fundamentais para uma vida saudável (corpo e mente). Mulher, tudo que você tem é suficiente, desde que você faça bom uso, a partir do autocuidado. Mulheres, somos suficientes e podemos espalhar isso à medida que vamos cultivando essa certeza dentro de nós.

Para finalizar, vou propor um pequeno exercício de autocompaixão. Feche seus olhos agora. Imagine-se vendo você a partir dos olhos de alguém que muito te ama e te admira. Quais são os pensamentos que esse alguém tem sobre você? Continue se vendo através desse olhar de amor e admiração, pense nos seus pontos fortes e, em seguida, nos seus pontos fracos. Reflita. Como esse alguém se sente em relação a você? Você é amada e aceita, com pontos fortes e fracos. Você é humana. Abra seus olhos e aproveite a emoção da autocompaixão. Escreva uma carta para si mesma, a partir da ótica desse alguém que lançou sobre você esse olhar de amor, admiração e aceitação.

Comece, ainda hoje, a trilhar esse belíssimo caminho de volta para sua casa. 

*Ana Spenciere é psicóloga clinica formada pela PUC-GO. Pós-graduada em Terapia Cognitiva Comportamental e coach de Bem-Estar e Emagrecimento. Idealizadora do Método de psicoterapia para emagrecimento chamado Programa Emagreça + (www.programaemagrecamais.com.br).

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