O ano de 2018 começou e nós ainda estamos falando de empoderamento feminino. É certo que os últimos dois anos foram de grande efervescência desse conceito e a sensação de algumas pessoas é de que o tema já vai ficando saturado. Mas mesmo com essa efervescência, ainda há dificuldade de compreender e aplicar o conceito, sobretudo na vida cotidiana e particular das pessoas.

O empoderamento feminino foi pauta de programas de TV, de matérias de jornais e de muitas discussões nas redes sociais ao longo de 2016 e 2017. Podemos dizer que o tema caiu na boca do povo e há quem sinalize a saturação do mesmo. Entretanto, minha convicção é que se as mudanças requisitadas ainda não foram concretizadas, nós não podemos parar de trabalhar esse assunto. Portanto, se a desigualdade entre os gêneros ainda não foi superada, precisamos continuar a falar e produzir empoderamento.

Contudo, não é fácil a tarefa de trabalhar um conceito que pretende promover transformações sociais e, dialeticamente, atuar na vida particular dos indivíduos dessa mesma sociedade. Percebemos isso ao fazer a pergunta aparentemente simples, aparentemente desgastada, mas que gera várias respostas deturpadas e acusações infundadas: afinal, o que é ser uma mulher empoderada? 

As respostas podem ser as mais diversas, mas muitas vezes estão associadas à força e resiliência. Outras tantas, estão relacionadas a ações concretas, como não gostar de homens, não se depilar, não se casar nem tampouco ter filhos, dentre muitas outras coisas. Tais associações são, no mínimo, esdrúxulas, uma vez que o empoderamento não existe para ditar regras e, sim, para libertar de padrões sociais abusivos, para ampliar a consciência de todos nós acerca dos efeitos de uma sociedade que privilegia um gênero em detrimento de outro. 

A verdade é que o empoderamento feminino existe para dizer a nós, mulheres, que podemos ser o que quisermos e fazer as escolhas que mais fazem sentido para nós. Então, a despeito de uma possível saturação do tema, ainda devemos lembrar e reforçar que esse movimento serve para que as mulheres se sintam bem na própria pele, mente e corpo. Serve para sabermos que não precisamos nos enquadrar e nem submeter ao que nos fere e que fugir do padrão ditado socialmente não reduz nosso valor. 

Case-se, tenha filhos e depile-se se isso lhe fizer feliz. Não faça nada disso se isso gerar um nível qualquer de sofrimento. No final das contas, empoderamento feminino trata também da liberdade de cada uma para ser.

* Jociane Lessa é psicóloga (CRP 09/3794), psicoterapeuta existencial há 12 anos, co-idealizadora do projeto Empodera Goiânia e co-fundadora do Instituto Devir Psicologia. 

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