Reconhecido como o maior violoncelista do pós-guerra, o russo Mstislav Rostropovich viveu uma longa e extraordinária carreira, sendo muito querido por todos os grandes músicos e compositores contemporâneos a ele. “Quando o ouvimos tocar, estamos na presença de uma personalidade artística profundamente fascinante. Ele abre para nós um universo sem limites por meio de uma performance que transborda com vida e brilha com a mais rica das cores. Ele nos cativa completamente ao nos oferecer o prazer do contato com a arte em sua forma mais suprema”, disse Dmitri Shostakovich, uns dos célebres compositores do século 20, sobre Rostropovich. 
 
Rostropovich nasceu em Baku, capital do Azerbaijão, em uma família musical: o pai, Leopold, era violoncelista e a mãe, Sofia, era pianista. Desde muito cedo demonstrou imenso talento fazendo com que a família mudasse para Moscou em busca de melhores condições de aprendizado para ele. No entanto, sua carreira internacional teve início, efetivamente, em 1964, em concerto apresentado na Alemanha Ocidental.

A partir de então, Rostropovich realiza diversas turnês e tocava nos principais palcos do planeta. Em 1967, ele dirigiu a ópera Eugênio Oniéguin de Tchaikovsky no Bolshoi, nascendo também sua paixão pela regência. Como maestro, trabalhou com os grandes virtuoses do mundo da música, como Maxim Vengerov, Vladimir Horowitz e Martha Argerich, entre outros.

Antes da fama internacional casou-se, em 1955, com Galina Vichnevskaia, soprano do Teatro Bolshoi, com quem formou, por muitos anos, um dos casais de ouro da União Soviética.  Para além de músico extraordinário, Rostropovich foi ativista político, reconhecido internacionalmente como um defensor dos direitos humanos. Em 1974, ele defendeu publicamente o escritor Alexander Solzhenitsyn, abrigando-o em sua própria casa. 

Sua amizade com Solzhenitsyn e o apoio a dissidentes fez com que o governo soviético impedisse o violoncelista e sua esposa de realizar turnês internacionais e suas apresentações no país em grandes concertos diminuíram. A situação tornou-se insustentável, fazendo o casal abandonar a União Soviética e perder a nacionalidade soviética. 

Já nos Estados Unidos, Rostropovich foi nomeado diretor da Orquestra Sinfônica Nacional em Washington, que dirigiu durante 17 anos. Em 1990, ele foi convidado por Michail Gorbachov para reger com essa orquestra na União Soviética, ocasião em que foi devolvida sua nacionalidade russa. Por ocasião da tentativa de golpe de Estado contra o presidente Gorbachov, no início dos anos 1990, Rostropovich mostrou-se um ativo defensor do processo de mudança, opondo-se aos golpistas e demonstrando seu apoio explícito tanto a Gorbachov, quanto a Boris Yeltsin.

Rostropovic anteriormente, em 1989, já havia mostrado seu pleno apoio ao processo de reformas nos países do Leste Europeu ao tocar violoncelo diante do Muro de Berlim. Em 11 de novembro de 1989, dois dias depois da abertura do muro, interpretou diante de suas ruínas a Suíte nº 2 para violoncelo de Johann Sebastian Bach.

De gosto eclético e interessado também pela música contemporânea, Rostropovich contribuiu decisivamente para a ampliação do repertório do violoncelo. Amigo de compositores, estreou obras de Prokofiev, Chostakovitch, Lutoslawski, Penderecki, Britten, Berio, Bernstein e outros. O argentino Astor Piazzolla dedicou “Le Grand Tango" a ele.

Ouviremos Mstislav Rostropovich interpretando o concerto para violoncelo e orquestra em lá menor, op.129 de Robert Schumann, com a Orquestra Nacional da França, sob a regência de Leonard Bernstein.

*Gyovana Carneiro é professora da Escola de Música e Artes Cênicas da UFG, doutora em Ciências Musicais pela Universidade Nova de Lisboa – Portugal. Promove séries de Concertos em Goiânia.

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