Reconhecido historicamente como o criador da expressão "tango brasileiro", Henrique Alves de Mesquita utilizou o nome “tango” para designar um tipo de música de teatro ligeiro, conhecida entre os franceses e espanhóis como "habanera" ou "havanera". Assim, ele classificou uma das próprias composições: "Olhos matadores", parte da Opereta “Ali Babá e os quarenta Ladrões”, em 1868.  

Henrique foi compositor, regente, trompetista, organista, professor, copista e comerciante. Curiosamente, em 1853, fundou o Liceu Copista Musical. Nesse estabelecimento, Mesquita compunha peças por encomenda, copiava partituras, vendia instrumentos musicais e ministrava aulas. Entre os dos alunos do compositor destacam-se Joaquim Callado e Anacleto de Medeiros. 

Admirador das rodas de serestas e modinhas, Henrique foi um dos músicos mais influentes da época, sendo muito admirado por músicos, como Chiquinha Gonzaga e Ernesto Nazareth, além do pai de Pixiguinha, o funcionário público Alfredo Vianna. No catálogo de obras do compositor, numeroso e relevante, estão principalmente óperas, operetas e músicas ligeiras que fizeram, à época, grande sucesso.

Em 1872, Henrique foi nomeado professor de solfejo e princípio de harmonia no prestigiado Conservatório Musical do Rio de Janeiro, aposentando-se em 1904, já no então Instituto Nacional de Música, como professor de instrumentos de metal.  

Segundo a publicação de Antônio José Augusto, “Henrique Alves de Mesquita, negro e filho de pais não casados, nasceu no Rio de Janeiro em 1830 e era o que historiadores convencionaram chamar ‘homem livre pobre’, indivíduos marginalizados numa sociedade marcada por relações profundamente desiguais, à mercê dos mandos e desmandos da polícia, do governo e das elites. Henrique teve, porém, um destino diferente. Em função de seu talento musical, que cedo demonstrou, foi agraciado com a maior distinção que um aluno poderia alcançar no Conservatório de Música, o prêmio de viagem, tornando-se o primeiro brasileiro a ser enviado ao exterior para realizar estudos musicais, mais precisamente ao Conservatório de Paris”.

Alves de Mesquita faleceu há 112 anos, no dia 12 de julho de 1906. Ouviremos, de Henrique Alves de Mesquita, “Batuque”, com os músicos Danilo Brito – bandolim;  Luizinho 7 Cordas - violão 7 cordas;  Alexandre Ribeiro – clarinete;  João Camarero – violão;  Milton Mori – cavaco e  Rafael Toledo – pandeiro; gravado ao vivo no Teatro do SESC Paulista em 2010. 
 
*Gyovana Carneiro é professora da Escola de Música e Artes Cênicas da UFG, doutora em Ciências Musicais pela Universidade Nova de Lisboa – Portugal. Promove séries de Concertos em Goiânia.

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