A Sociedade Nacional para a Música Francesa, fundada no ano de 1871, com a finalidade de encorajar os compositores nativos a produzir e apresentar trabalhos, é o marco de um período que ficou conhecido como o renascimento musical francês. Afinal, foi quando se viu um acentuado crescimento de produção musical tanto em quantidade como em qualidade.
           
Um dos principais legados do renascimento musical francês foi a aplicação do estilo impressionista à música, o qual evocava sentimentos, estados de espírito e impressões através da harmonia e cores tonais. O impressionismo baseia-se na insinuação e, para tanto, usou de uma linguagem completamente diferente daquela a que os românticos estavam acostumados. Mas mesmo quando os compositores franceses fogem do impressionismo, sua música não deixa de ter algum elemento forte de identidade étnica, com uma estética de muito bom gosto.
 
A música francesa originada desse renascimento apresenta uma ampla gama de possibilidades sonoras, até então novas. Exemplos de todas essas novidades podem ser facilmente encontrados na música para piano de Debussy e Ravel. Encontramos, também, a tradição e a expressividade de César Franck, o ecletismo de Saint-Säens, o refinamento de Fauré, a ironia de Satie, a politonalidade de Milhaud e a melodia fluente de Poulenc, dentre outros.
 
Camille Saint-Saëns não simpatizava com as tendências do início do século 20. Era adepto da tradição francesa, essencialmente clássica, que concebia a música como forma sonora, em oposição à concepção da música como expressão. Seu estilo é sempre refinado, com pretensão de ser profundo. Uma de suas obras mais famosas foi escrita como uma brincadeira musical. “O Carnaval dos Animais”, peça para dois pianos e orquestra, foi composta em 1886, quando Saint-Saëns passava férias em uma pequena aldeia na Áustria após ter retornado de uma frustrante turnê na Alemanha.
 
Culto, versátil e refinado, Saint-Saëns escreveu a peça para ser uma brincadeira e criticar o cenário musical parisiense no fim do século 19. Por precaução, não permitiu que a obra fosse publicada enquanto era vivo. Temia que ela arruinasse sua reputação de "compositor sério". Repleta de referências a outros compositores, a obra foi publicada apenas após sua morte, com exceção do movimento “O Cisne” para piano e violoncelo.

A suíte “Carnaval dos Animais” é composta por 14 movimentos, na qual 13 são descritivos às personagens: I - Introdução e Marcha Real do Leão; II - Galinhas e Galos; III - Mulas ; IV - Tartarugas ; V - O Elefante; VI - Cangurus; VII - Aquário;   VIII - Personagens de orelhas compridas ; IX - O cuco nas profundezas dos bosques; X – Pássaros; XI - Pianistas;  XII - Fósseis; XIII - O Cisne; XIV – Final.

Ouviremos o “Carnaval dos Animais” em sua íntegra com a Zagreb Music Academy Chamber Orherstra, da Academia de Música da Croácia, gravado em janeiro de 2012.  Pianos: Danijel Gašparović e Nikola Kos; Violinos: Marco Graziani e Tvrtko Emanuel Galić; Viola: Šimun Končić; Violoncelo: Smiljan Mrčela; Contrabaixo: Jura Herceg; Clarineta: Matej Pavić; Flauta: Ana Batinica; Xilofone: Špela Mastnak. 
 
*Gyovana Carneiro é professora da Escola de Música e Artes Cênicas da UFG, doutora em Ciências Musicais pela Universidade Nova de Lisboa – Portugal. Promove séries de Concertos em Goiânia.

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