Tenho ouvido muitas reclamações de mulheres sobre a falta de compromisso de seus parceiros em relação a mudanças de planos. Elas dizem: “sabe o que que é? A gente havia combinado de fazer determinado programa e de última hora ele mudou de planos, ligou desmarcando ou diz que está cansado”. São muitas as justificativas para não manter um compromisso. Mas e você, como se posiciona diante de tais situações? Fica chateada? Não fala nada e espera que ele perceba que você não gostou? Briga? Chora? O que você faz?

É claro que imprevistos podem acontecer e serem necessárias mudanças de planos, de prioridades. Se perceber que isso tem se repetido, é importante que você, mulher, reavalie o que é saudável para si e para o seu relacionamento. Chorar ou ficar em silêncio vai resolver a situação? Parece que não. Vamos lembrar que em um relacionamento é importante que se estabeleçam algumas regras, alguns combinados. E o que foi combinado entre os dois, para ser mudado é necessário considerar as expectativas do outro. 

Procure conversar sobre os seus valores: compromisso é algo importante para você? Talvez você seja uma mulher que tem dificuldade em lidar com a falta de compromisso do outro. Então, é preciso que você diga, que fale sobre isso. E falar de forma assertiva é algo que só enriquece o relacionamento. Não adianta ficar se vitimizando ou aceitando tudo o que vem do outro.

Talvez seja você quem desmarca e não cumpre o combinado. Nesse caso, você diz: “olha, eu não tenho dificuldade em desmarcar compromissos. Afinal, tenho tantas outras coisas a fazer. Sou independente, gosto de sair com meus amigos, minhas amigas...”. Tudo bem, isso pode não ser um problema para você, mas lembre-se que, para o outro, os planos feitos em conjunto criam expectativas. Então, é uma questão de empatia, de valores e de uma boa abertura para o diálogo, para conviver com as diferenças.

É simples. Comece perguntando como é para você essa questão? Diga: “pra mim é assim”. Pode ser que você diga que não se sente bem com mudanças de planos, que se sente rejeitada, sem valor... Ou você talvez você diga: “olha, às vezes, preciso mudar ou faltar a um compromisso por falta de energia, de cansaço, vontade de ficar em casa ou por conta do trabalho. Sempre há porquês! Como vamos lidar com isso vai depender dos nossos combinados, dos nossos valores”.

* Maria Lúcia Oliveira é psicóloga clínica, facilitadora de circulo psicoterapêutico de mulheres, com especialização em terapia familiar e de casal. Também possui especialização em psicopatologia, formação em educação sistêmica e mestrado em ciências da religião.

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