O movimento “Não É Não”, muito comentado na web, também acontece em Goiânia e, neste Carnaval, quer promover um encontro de várias gerações de feministas, que estão cansadas de serem agredidas ou verem alguém passar por isso em festas públicas. A ação também conta com a adesão de homens que apoiam o movimento feminista e a liberdade de expressão das mulheres.  

O “Não É Não” é um movimento que percorre todo o Brasil e que teve início quando uma jovem foi estuprada por mais de 30 homens, no Rio de Janeiro. A campanha na capital goiana vai de encontro ao movimento mundial que vem discutindo a questão do assédio contra a mulher e a objetificação do corpo feminino.

Infelizmente, muito se tem visto homens puxarem os cabelos das garotas, agarrarem o braço e beijarem as meninas sem permissão em festas como o Carnaval. Vamos pensar um pouquinho sobre isso: os corpos das mulheres não são de qualquer um. São apenas delas e de quem elas desejarem e consentirem. É importante deixar claro, tanto para homens quanto para mulheres, que se você está na paquera, a fim de curtir alguém, ficar com alguém... tudo bem. Mas se o outro não quer, não se insistir ou forçar. Siga em frente.

Outro ponto importante a ser comentado foi notado durante o movimento feito no último dia 23 de fevereiro, pelo bloco “Não É Não”. Foi possível observar que algumas mulheres casadas se sentem protegidas do assédio. Isso ficou aparente principalmente quando elas não aceitaram usar o adesivo “Não É Não”. Muitas delas até perguntaram aos maridos se poderiam ou não usar os adesivos. No entanto, sabemos que estar em um relacionamento infelizmente não protege ninguém. É importante que as mulheres percebam que mesmo casadas ou acompanhadas por seus parceiros também correm risco de serem assediadas, ainda que elas se sintam blindadas por estarem acompanhadas. 

Já em alguns blocos, mulheres jovens disseram não ao movimento por acreditar que isso impossibilitaria a paquera. Nesse caso, é válido ressaltar que paquera e o assédio são bem diferentes e que lutar pelo fim desse tipo de violência é uma forma de proteger não só a si mesma, mas mulheres de sua família e amigas. O que se espera é que as mulheres saibam que seus corpos são só delas e só passa mão neles quem elas deixarem. Qualquer coisa além disso é assédio sexual.
 
Ser independente e ter autonomia significa decidir com quem quer ficar. Assim, percebe-se que as mulheres começaram um diálogo transgeracional na luta contra esse abuso de poder e de força. Assim como os homens, as mulheres gostam de curtir o Carnaval, dançar, cantar, beber, paquerar e beijar... mas não à força! Vamos fazer um Carnaval com muita alegria, com muitas cores. Não estamos pregando moralismo. Somos contra o assédio sexual. Chega de prepotência, arrogância e domínio sobre os corpos que não lhes pertence.

* Maria Lúcia Oliveira é psicóloga clínica, facilitadora de circulo psicoterapêutico de mulheres, com especialização em terapia familiar e de casal. Também possui especialização em psicopatologia, formação em educação sistêmica e mestrado em ciências da religião.

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