Os suaves sons de “Aleluia” romperam os céus árabes na última terça-feira (5), quando o papa celebrou a primeira missa papal na Península Arábica, para cerca de 180.000 pessoas, marcando a sua primeira visita aos Emirados Árabes Unidos. A viagem de Francisco veio 800 anos depois que seu homônimo, amante da paz, São Francisco de Assis, visitou um sultão egípcio e marcou o auge de anos de esforços da Santa Sé para melhorar as relações com o mundo muçulmano, já que esse estava tomando para si os fiéis católicos.

A missa foi considerada a maior exibição de adoração pública pelos cristãos na península, que é o berço do Islã e atraiu católicos de 100 países, incluindo Filipinas, Índia, Sri Lanka, Nigéria, Uganda e Líbano. Isso reflete o leque de nacionalidades atraídas pelas promessas de emprego, segurança e tolerância feitas pelos Emirados Árabes. A comunidade católica daquele país é estimada em um milhão de pessoas e a maioria é de estrangeiros. 

Em sua homilia, transmitida em italiano e traduzida para o árabe, com legendas em inglês em telas gigantescas, Francisco falou aos muitos trabalhadores emigrantes que sofrem anos de separação de suas famílias. "Certamente não é fácil para você morar longe de casa, sentindo falta do carinho de seus entes queridos, e talvez também sentindo incerteza sobre o futuro". Mas o Senhor é fiel e não abandona o seu povo”, disse.

O papa também disse ao seu rebanho - muitos deles de baixa renda - que eles não precisam se envolver em obras “sobre-humanas” para serem fiéis. Foi uma mensagem exaltando a humildade em um país que abriga o maior arranha-céu do mundo, o Burj Khalifa, e conhecido pela opulência e excesso. Jesus “não nos pediu para construir grandes obras ou chamar a atenção para nós mesmos com gestos extraordinários. Ele nos pediu para produzir apenas uma obra de arte, possível para todos: nossa própria vida”, disse Francisco.

O papa se reuniu com importantes clérigos muçulmanos na grande mesquita Sheikh Zayed e proferiu um discurso diante do poderoso príncipe herdeiro de Abu Dhabi e centenas de imãs, ministros, rabis e swamis na capital dos Emirados, começando com a saudação muçulmana Asalaam alaikum (a paz esteja com você). Em comentários a repórteres em seu voo de volta a Roma, Francisco disse que ficou impressionado com a sabedoria dos anciãos muçulmanos com quem se encontrou e com a grande diversidade de pessoas que vivem nos Emirados. Isso nos prova que não é a religião, são as pessoas que importam, o propósito delas e a mensagem que elas passam.

Prova disso é o que aconteceu do outro lado do oceano, já na americana Califórnia. Os pais de alunos de uma igreja católica se assustaram em novembro passado quando receberam uma carta assinada pelo Monsenhor diretor da escola, dando notícia que as freiras, irmãs Mary Margaret Kreuper e Lana Chang, melhores amigas, surrupiaram mais de U$ 500 mil dos fundos da escola, durante, supõem-se, mais de uma década. Elas fizeram isso para viajar e jogar nos cassinos de Las Vegas.

O golpe foi descoberto durante uma auditoria de rotina, quando a irmã Margaret requereu sua aposentadoria depois de ter trabalhado como diretora da escola por 29 anos. A sua cúmplice, irmã Chang, foi professora por 20 anos no mesmo estabelecimento e se aposentou recentemente. A nova diretoria da escola se manifestou publicamente: "A irmã Mary Margaret e a irmã Lana me pediram que eu lhes transmitisse o profundo remorso que cada uma sente por suas ações e pedem perdão e orações. Elas e sua ordem religiosa oram para que vocês não tenham perdido a confiança ou a fé nos educadores e administradores da escola".

Ele acrescentou que nenhum outro funcionário da escola foi implicado no roubo e que a polícia havia sido alertada, mas nenhuma ação judicial foi proposta ainda. Será que termino falando da obra de arte pessoal que cada um pode fazer com a sua vida? Vejo nos muçulmanos dos Emirados um exemplo a ser seguido, e nas irmãs americanas? Aposto no 21 vermelho.

*Renata Abalem é advogada, diretora jurídica do IDC (Instituto de Defesa do Consumidor e do Contribuinte) e fundadora da ABRASAÚDE (Associação Brasileira dos Usuários de Sistemas de Saúde, Planos de saúde e Seguros de Saúde). Presidente da Comissão de Direito do Consumidor da OAB/GO triênio 2016/2018. Conselheira seccional da OAB/GO também triênio 2016/2018.

Os comentários publicados aqui não representam a opinião da plataforma e são de total responsabilidade de seus autores.