Não é incomum receber mães ou pais afoitos e agitados por ouvir ou descobrir que o filho foi excluído de uma brincadeira ou de uma rede social. Percebo que, por impulso, eles saem para tirar satisfação ao invés de buscar entender a situação e ajudar o próprio filho. A atitude inicial, sem nenhuma busca dos vários lados da história, é olhar o filho como vítima. E por que isso acontece?

Estamos tão ligados na correria do dia a dia que, por um instante de culpa por não conseguir estar em vários lugares ao mesmo tempo (uma culpa infundada e imatura), acreditamos que nossos filhos estão passando por injustiça e temos que “salvá-los”. E por trás disso se salvar do pensamento de uma mãe ou pai desatento. Para que isso? Vivemos em constante relações. Em todos os lugares: família, igreja, esporte, vizinhança, escola. É claro que surgirão conflitos. Onde há relações, há pensamentos diferentes, valores, princípios que se chocam.

É natural que, em alguns momentos, no processo da criança de aprender a conviver, surjam conflitos e impulsividades de exclusão. Certo? Só que as famílias estão pecando quando não permitem que o filho sofra e resolva as situações que aparecem. Quando digo resolva, não estou querendo dizer que devemos deixá-lo só, mas, ao contrário do que tenho visto (que é tirá-lo da situação e a família tomar as dores e resolver), é se colocar ao lado do filho para refletir sobre o que ocorreu. É preciso ensinar-lhe com a parte que coube a ele e oferecer ferramentas de ação. Gerar aprendizado e amadurecimento com o que aparece no dia a dia dele.  

E por que não deixamos nosso filho sofrer? Até parece que isso é possível, né? Precisamos permitir que nosso filho tenha frustração e aprenda com ela. Tememos as experiências que geram sentimentos “negativos” sem perceber que elas geram crescimento, preparo para vida. Portanto, ter experiências assim é benéfico e saudável para a evolução. Como essa criança “tão poupada” chegará à adolescência e à fase adulta? Isso vai depender dos adultos que convivem com ela. Isso vai depender de você! 

Minha sugestão é que, quando algo assim ocorrer, não foque em quem o excluiu. Foque em seu filho. Aproveite a oportunidade para conhecê-lo para reforçar os ensinamentos relacionados aos princípios e valores. Precisamos estar atentos para que, independentemente das mudanças que ocorreram no mundo, da escolha de vida que as crianças e adolescentes levam hoje, é preciso ensiná-lo a ser justo, honesto, ético e respeitar o outro. O momento é rico porque proporciona aprendizagem e aproximação familiar. Temos que aproveitar a oportunidade da mediação. 

Por que não aproveitar vídeo, filmes, reportagens, leituras de situações que permitam o reforço do ensinamento? Promova um debate familiar. Antes de utilizar aqueles discursos intermináveis, nos quais só os pais falam, escute. Após escutar, ofereça a reflexão. Deixe um pouco de lado os comandos de como tem que agir, para a construção do como agirá. Permita que seu filho construa o fazer após o pensar com vocês. Dediquem-se a isso e vocês não terão “sorte” de ter filho saudável emocionalmente, vocês terão trabalhado para isso, construído com ele essa saúde emocional. 

*Fabíola Sperandio Teixeira do Couto trabalha desde 1984 em instituições de ensino e desde 1999 em consultório. Pedagoga, psicopedagoga, especialista em Organização e Gestão de Centros Educacionais, especialista em Ensino Superior,  terapeuta de Família e Casais e mestre em Educação. Publica periodicamente no Blog Educar Faz Parte LUDOVICA - Organização Jaime Câmara e na Editora Geração Digital. Membro atuante no IBDFAM - Instituto Brasileiro de Direito de Família e associada na ATFAGO - Associação de Terapia Familiar de Goiás.
 
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