Tenho percebido que algumas famílias estão começando a retomar velhos hábitos: mais refeições juntas; passeios no parque; cinema; deitar todos grudados para ver TV; jogar eletrônicos e brincar juntos. Meu coração se enche de alegria por isso. Percebo que está acontecendo um despertar. Porém, além da promoção do ficar junto, você tem buscado conhecer de verdade seu filho? 

Quando pergunto se conhece, não estou falando sobre saber da rotina, o que ele faz. Estou me referindo ao conhecê-lo: saber do que gosta, o que agrada ou desagrada. Vou deixar algumas perguntinhas para que você reflita e invista nessa busca em conhecê-lo.

• Quando seu filho está em casa e tem um tempinho só para ele, o que ele escolhe fazer? 
• Seu filho sente necessidade de ficar só? Se sim, você sabe o motivo dessa necessidade?
• Seu filho consegue expressar os sentimentos dele? Você consegue saber se por trás daquele sorriso largo há alguma dor ou preocupação? 
• Você sabe se ele se sente querido pela família? E pelos colegas? 
• Já conversou com ele sobre o que ele gostaria de fazer nas próximas férias? 
• Saberia contar em detalhes quais são os objetivos pessoais dele? 
• Tem alguém que influencia seu filho (amigo/artista/familiar)?
• Você sabe em que momentos seu filho se sente constrangido? 
• Tem noção se ele é satisfeito com a sua aparência física? 
• Seu filho tem autoestima elevada? 
• Seu filho nutre amor próprio? 
• Ele veste o que gosta, o que oferecem ou o que acha conveniente para não desagradar? 
• O esporte que pratica é escolha dele? Ele sente prazer no esporte? 
• Que tipo de música ele ouve? Quais as mensagens trazidas por essa escolha? 
• Do que ele se orgulha? 
• Ele tem apelidos? Como lida com eles? Já perguntou? 
• O que ele gosta de fazer em família? O que ele não aprecia fazer com a família? 
• Ele colabora com as tarefas familiares? Se sim, do que ele gosta ou não gosta? Se não, por quê? 
• Você conhece as habilidades e competências dele? E ele sabe qual é o seu maior talento (o talento dele)? 
• Seu filho tem algum herói? Alguém inspirador?
• Com qual a área escolar que ele mais se identifica (humanas, biologias, exatas...)?
• Você conhece os medos do seu filho?
• Sabe sobre as frustrações e decepções que ele já teve? 
• Seu filho já se apaixonou? Como lida com suas escolhas e desamores?
• Aquele que você considera o melhor amigo do seu filho realmente é o melhor amigo dele? 

Muitas vezes nos acomodamos com a aparência. Aquilo que está explícito. Cuidado com isso. Por trás de um sorriso lindo pode estar dor, angústia e medo. Por trás de uma rebeldia pode estar uma carência, uma insatisfação e um sentimento de vazio. Por trás de generosidade e educação, pode haver frustração por ter que ser o que esperam. 

Invista em ir além do que se mostra. Invista na aproximação, no diálogo amoroso e franco. Invista nas regras claras e na maneira firme e doce de lidar com a realidade. Invista no apoio. Não julgue. Acolha e oriente. Seu filho precisa de você.

*Fabíola Sperandio T. do Couto é pedagoga, psicopedagoga e terapeuta de família e casais. Ela é membro do IBDFAM Goiás, mestranda em Educação e concluindo a especialização em Organização e Gestão de Centros educacionais. Atua em educação desde 1984 e em consultório desde 1999. É diretora pedagógica de instituição privada do Infantil l ao 9ºano, palestrante e consultora na área educacional e familiar. Publica periodicamente no blog "Educar Faz Parte" (Organização Jaime Câmara/Globo/Ludovica) e na Editora GD.
 
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