Estamos quase no fim do outono. O inverno começa no dia 21 de junho. Com as grandes mudanças climáticas, nessa época do ano muita gente diz sentir a pele, o nariz, a boca e olhos muito secos. É sempre assim: quando a umidade cai, sentimos isso na pele, literalmente. Mas mesmo com a umidade do ar baixíssima, há formas de tornar os ambientes mais agradáveis, melhorar o nosso bem-estar e a qualidade de vida.

Nesse período (e em alguns outros) também é comum as pessoas se queixarem de uma ardência bucal, que nunca passa. Mas será que isso normal? Bem, essa é uma queixa bem frequente, principalmente entre as mulheres. Essa ardência muitas vezes coincide com o período da menopausa, mas pode acontecer com homens e mulheres de todas as idades.

Nessa situação, a primeira coisa a se fazer é procurar um profissional que trate das alterações de saliva. A redução da saliva associada a outros fatores, como, por exemplo, o uso de alguns produtos usados para higiene bucal, podem provocar essa sensação de boca em chamas, boca ardente. Nesses casos, a principal queixa é o comprometimento do bem-estar. Afinal, a pessoa tem o paladar alterado e um desconforto que pode durar o dia inteiro ou que pode ser acentuado com o passar do dia.

Para o diagnóstico é necessário fazer exames salivares dentro do próprio consultório. Os hábitos de vida também são analisados, além do exame clínico. É verificado se há algum metal (restaurações metálicas) ou a combinação deles na boca, por exemplo, que possa interferir nesses quadros. Como muitas vezes o relato é de que a boca está com um gosto metálico, a pessoa fica confusa e acha que o hálito também está alterado. Assim, o paciente que tem ardência bucal se torna irritado, ansioso, depressivo, tem dificuldade para dormir (distúrbio do sono) e até desenvolve, em algumas situações, o que chamamos de carcinofobia (medo de ter câncer).

Os quadros da síndrome da ardência bucal vão de intensidade moderadora a severa. Os fatores que podem ajudar a melhorar esse desconforto são a distração, com atividades de lazer, a ingestão de alimentos frios e o uso de alguns produtos específicos para lubrificação oral. Já o que pode agravar essa condição são os alimentos picantes, quentes, cítricos e alguns produtos usados na higiene bucal.

Os sintomas mais relatados desse problema são de que a boca ou mucosas “queimam”, ardem, ficam doloridas, sensíveis e ásperas. Essa síndrome atinge de um a cinco por cento da população, em especial mulheres em queda hormonal. Já as origens mais frequentes da ardência bucal são: baixa quantidade e qualidade salivar, agentes químicos, alergias, infecção, feridas, galvanismo (correntes elétricas entre materiais restauradores), fumo, álcool, compressão do nervo aurículo temporal, bactéria H. Pylori, candidíase, deficiência vitamínica, zinco, ferro, ácido fólico, refluxo gastroesofágico, diabetes, hipotireoidismo, síndrome de Sjögren, artrite reumatoide, neuropatias.

Então, caso não seja só o tempo seco que está interferindo no seu bem-estar e na sua saúde, procure ajuda profissional.

*Karyne Magalhães é cirurgiã-dentista, habilitada em Laserterapia e qualificada no tratamento da Halitose, vice-presidente da Associação Brasileira de Halitose (Abha), membro da Associação Brasileira de Odontologia (ABO-GO) e membro da Sociedade Brasileira de toxina botulínica e implantes faciais (SBTI). Acesse saudesalivar.com.br e botoxgoiania.com.br.

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