Dentadura é o nome popular dado à prótese dentária. A função desses dentes artificiais de acrílico é sustentar todas as funções do sistema estomatognático, que compreende lábios, língua, dentes, músculos, ossos, glândulas e mais. Eles correspondem à mastigação, deglutição, respiração, fonação e estética social.

Esse artifício não é a melhor forma de substituir uma boca sem dentes (edentada). Entretanto, as impossibilidades biológicas bucais, a saúde sistêmica, a parte financeira e comodismo são algumas das coisas que impedem alguns a recorrer às dentaduras parafusadas sobre implantes. Elas seriam a melhor reposição para dentes perdidos. 

Também há muita gente que usa dentadura desde muito cedo e tem resistência na substituição. Afinal, há quem diga que em time que está ganhando não se mexe. Já algumas pessoas têm vergonha de expor a boca e as dentaduras, mesmo que para cirurgiões-dentistas. A boca é a parte mais íntima do nosso corpo. Você pode acreditar em mim. 

Mas é sempre bom ressaltar que a manutenção das próteses deve acontecer da mesma forma que acontece com os dentes naturais, a cada seis meses. E dentadura tem prazo de validade. Indicamos a substituição a cada cinco anos, mas pode ser que isso aconteça mais para frente. Tudo depende dos hábitos de vida e da saúde bucal. Temos que entender que se até os dentes naturais se desgastam ou se perdem, com os de plástico não seria diferente.

Quando instalamos as dentaduras nas bocas, é muito comum fazermos diversos ajustes. Principalmente na dentadura inferior, que normalmente tem pouco suporte ósseo e a língua e a bochecha que fazem a movimentação da mesma. Elas ajudam a prótese a "dançar" na boca. Isso é o que traumatiza a mucosa bucal, levando a diversos ajustes na base que sustenta os dentes. Então, não se preocupe caso o cirurgião-dentista faça diversas sessões de ajuste nas suas próteses.

No caso das pessoas mais idosas, recomendaria a substituição caso a estrutura esteja danificada e os dentes muito desgastados. Mas nem sempre podemos substituir. Eu, por exemplo, tenho uma tia de 105 anos que agora cismou que quer obturar e arrancar alguns dentes da prótese, “porque a dentadura debaixo está machucando”. No entanto, ela não tem uma saúde bucal que favoreça a substituição. Se eu fizesse isso, nunca mais ela fecharia a boca, porque a mandíbula às vezes desloca da cavidade articular (ATM). Isso é um sinal que a articulação da mandíbula dela já está prejudicada e, fora isso, não temos mais espaço para novos dentes. Com certeza,  ela sofreria ainda mais com a mudança. O pior de tudo é que ela pensa que eu não quero fazer o trabalho.

Fazemos o que temos tempo hábil.  Talvez, o melhor tempo para trocar as próteses seja quando ainda se tem saúde sistêmica e mental.

*Karyne Magalhães é cirurgiã-dentista, habilitada em Laserterapia e qualificada no tratamento da Halitose, vice-presidente da Associação Brasileira de Halitose (Abha), membro da Associação Brasileira de Odontologia (ABO-GO) e membro da Sociedade Brasileira de toxina botulínica e implantes faciais (SBTI). Acesse karynemagalhaes.com.br e botoxgoiania.com.br.

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