Você já ouviu falar em “dentista biológico”? Me parece que ultimamente está na moda ficar inventando "apelidinhos" para se vender algo na área da saúde. Já reparou nisso? É provável que não. Mas por que você ainda não se deu conta disso? Talvez por que o assunto gere certa polêmica. Inclusive, polêmicas costumam ser do meu feitio. Mas isso só porque não suporto o desrespeito, a arrogância e capacidade de subestimar o intelecto de quem quer que seja com finalidade de venda.

Está certo que podemos, e usamos, várias denominações. Isso acontece até mesmo porque essa "onda biológica" vem tomando grandes proporções. E ainda não sabemos qual a melhor forma quando queremos se referir ao cirurgião-dentista ou médico que atua de forma holística.  Trabalhar de forma holística é analisar, ver e tratar o paciente como um conjunto, diferente, por exemplo, de um especialista que trata a boca, dentes ou pernas e outros membros. Por isso, por enquanto, tem se usado termos como biológico, complementar, alternativo ou integrativo. No entanto, na verdade, cada palavra dessas tem um significado. Em minha opinião, elas se complementam.

A sensação que tenho é que as pessoas estão um tanto quanto desnorteadas com as informações que buscam e recebem. Muitas delas não têm verificação ou embasamento. E na "praga" do WhatsApp (graças a Deus ele existe. Amém) tudo é compartilhado. E atualmente está voga o tal do "dentista biológico". Mas na verdade, é como diz um colega: qual área da odontologia ou da saúde que não é biológica? 

Afinal, do que nós tratamos? Tratamos seres e sempre foi assim. A diferença é que hoje temos acesso às pesquisas (mesmo que algumas sejam tendenciosas), nos preocupamos mais com a nossa saúde e somos mais vaidosos. Vivemos mais e estamos vivendo melhor, mesmo com turbilhões de doenças e todas as dificuldades para combater as bactérias super-resistentes.

Pense bem: qual o conselho que mais se escuta atualmente? Pratique atividade física e faça uma alimentação saudável.  Mas em busca da saúde, vem também a busca por tratamentos menos, digamos, invasivos e agressivos. Por isso, estamos agora encarando uma resistência a química chamada medicamento e vemos uma busca desenfreada por tratamentos que pareçam mais naturais e com menores efeitos colaterais. Isso está certo? Está certíssimo!

Entretanto, temos que tomar cuidado principalmente com tratamentos que se dizem naturais, porém são irreversíveis. Além disso, é importante entender que muitas vezes não tem como fugir da medicina tradicional. O que o paciente quer falar quando ele diz que necessita de um "dentista biológico", na verdade, é: você realmente pode me ajudar? Qual a sua disponibilidade para isso? Você ainda faz a odontologia tradicional (mutiladora)? Você emprega as novas terapias (laserterapia, ozonioterapia, acupuntura, fitoterapia, terapia neural ou está se preparando para a chegada da terapia celular)?

Os tempos estão mudando! Mudando pra melhor.  A tecnologia está revolucionando a troca multiprofissional. E é justamente disso que precisamos: de unirmos as nossas forças em prol do próximo.  Acredito que estamos caminhando a passos lentos, mas de forma mais preventiva e mais saudável.

Então, se eu fosse você, tomava mais cuidado com que entra na sua boca (alimentos e produtos para higiene bucal) e deixava de dar tanta atenção para os “mimimis” sem comprovação científica relevante. E também, como diz a minha amiga Flávia Ferro, cuidado com as palavras que você não diz, e simplesmente engole.

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*Karyne Magalhães é cirurgiã-dentista, habilitada em Laserterapia e qualificada no tratamento da Halitose, vice-presidente da Associação Brasileira de Halitose (Abha), membro da Associação Brasileira de Odontologia (ABO-GO) e membro da Sociedade Brasileira de toxina botulínica e implantes faciais (SBTI). Acesse karynemagalhaes.com.br e botoxgoiania.com.br.

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