Há mais de um ano as máscaras, sejam descartáveis ou não, têm sido acessórios frequentes nos rostos da população mundial. E para um país que nunca usou máscaras a fim de evitar contaminação, até que estamos bem comportados. Mas infelizmente, o uso dessa peça não é tão simples assim. Isso até mesmo para pessoas como eu, cirurgiã-dentista, que sempre trabalhou de máscaras. Não o tempo todo, claro, já que enquanto o paciente não estava na cadeira, eu não precisava usar. Mas agora, durante a pandemia, não dá para tirar a máscara no consultório. 

E assim as marcas do uso contínuo ficam no meu rosto e orelha. Mas não no meu psicológico, porque sei que preciso proteger minha equipe, meus pacientes e a mim mesma. Mas e em relação ao hálito, você sabe onde ficam as marcas da máscara? Talvez isso nunca tenha passado pela sua cabeça ou, então, você não tenha se sentido inseguro em relação ao próprio hálito a ponto de entender as marcas que ficam gravadas no estado emocional/psicológico de quem passa pela halitose.

Mas as piadinhas e memes não param. São coisas do tipo: "agora com a máscara ela sente o bafo". E sabe por que ouvir isso dói mais ainda? Porque para além do problema em si, tem gente que está impossibilitada de sair de casa para tratar.  Às vezes, a pessoa que sofre de halitose não tem dinheiro pra consulta e tratamento ou mesmo desconhece a intensidade do problema. Até porque, mesmo em tratamento, nem sempre nós, profissionais, conseguimos controlar em pouco tempo as alterações que ocasionam o mau hálito.

E na verdade, só a dúvida sobre o próprio hálito já gera insegurança e isolamento. E eu sei bem que não é fácil falar sobre o assunto, mas é preciso. Além disso, também é preciso entender que o mau hálito de origem bucal muitas vezes não é da falta de higiene.  Raríssimas também são as possibilidades de origem no estômago. As alterações salivares e doenças bucais chegam próximas a 100% das causas. Lembrando que para acontecer a halitose, nem sempre o desequilíbrio bucal tem que ser grande.

Além do que não sentimos o próprio hálito. Nosso olfato se acostuma a qualquer odor quando exposto constantemente a ele. Um bom exemplo é quando você sente o cheiro do abacaxi maduro. Se você não descascar aquele abacaxi na hora e guardar na geladeira, em poucos minutos o cheiro se torna mais fraco e, horas depois, você não sente mais o odor agradável de fruta doce. 

Mas agora, com o uso das máscaras, algumas pessoas, em algum momento, podem ter sentido um cheiro ruim e acreditar que está com mau hálito. E bem, pode ser que o seu hálito esteja comprometido sim, mas pode ser que não. As secreções da boca e nariz, chamadas de muco nasal e saliva (que também é muco), acabam ficando parados nos tecidos das máscaras, já que muitos têm rinite e algum corrimento nasal. E claro, hora ou outra vamos conversar, respirar, tossir, bocejar e/ou espirrar, literalmente contaminando as máscaras com matéria orgânica (perdigotos de saliva), acompanhada de bactérias que podem liberar um cheiro que talvez não seja agradável conforme a sua percepção olfativa. 

Isso tudo naturalmente pode gerar essa dúvida. Sendo assim, para saber se você tem ou não tem mau hálito, é essencial procurar um cirurgião-dentista qualificado no diagnóstico e tratamento da halitose.

*Karyne Magalhães é cirurgiã-dentista, especialista em Prótese Dentária, qualificada no diagnóstico e tratamento da Halitose e Disfunções Salivares, habilitada na Laserterapia, Vice-presidente da Associação Brasileira de Halitose (ABHA). Acesse: https://www.karynemagalhaes.com.br/