Ninguém duvida que isolamento e distanciamento social estão entre os termos mais usados neste ano, principalmente a partir do final de fevereiro, quando houve a confirmação do primeiro caso de coronavírus no Brasil. Agora sim, nesta época louca que estamos vivendo, muita gente começa a compreender, ao pé da letra, o que significa se distanciar.

Mas na verdade, desde que venho tratando pessoas que apresentam alterações relacionadas ao hálito, o que me trouxe muitos aprendizados, entendo perfeitamente e há bastante tempo o que é se isolar e o peso disso. Nesses casos, isso acontece quando existe o receio sobre a qualidade do próprio hálito e, atendendo essas pessoas, percebo perfeitamente a dor do afastamento relatado por diversos pacientes, que se anulam, temerosos ao que o convívio social poderia dar em resposta a esse problema.

Problema esse, aliás, que, segundo alguns estudos, já afetou até sessenta por cento da população mundial. Mas afinal, por que quem tem halitose clínica ou subclínica tende a se afastar do convívio? A resposta é muito simples: medo da rejeição, da ofensa, do próprio hálito. E isso é tão complexo, tão estigmatizado, que pouco se aborda a halitose, resultado em vários problemas não solucionados.

Tanto é que até mesmo profissionais que deveriam se envolver com o assunto, simplesmente ignoram, enquanto pessoas ficam subtratadas ou sobretratadas na tentativa de erro e acerto de diagnóstico e tratamento. Paralelo a isso, a indústria lucra (e não é pouco) com a venda de produtos que prometem solucionar o mau hálito e as pessoas que sofrem com a halitose perdem as esperanças, deixando de acreditar que é possível encontrar o diagnóstico preciso e o tratamento que possa controlar o hálito e a saúde bucal.

Isso porque apesar da halitose não ser uma doença, ela pode ser um sinal ou sintoma de uma doença bucal ou sistêmica capaz de desequilibrar a homeostase da boca e/ou do organismo. Então, se você acredita que o seu hálito não tem uma qualidade tão boa assim e isso te causa extrema insegurança, te aconselho a buscar ajuda qualificada com um cirurgião-dentista que atua na área na da halitose.

Mas se você está do outro lado, ou seja, se você convive com alguém que nem imagina ter mau hálito e sua vontade é de a avisar sobre isso, então faça. Se encoraje e comunique a situação. Se disponha a ajudar, mas jamais, jamais, tome decisões como se afastar. A halitose tem tratamento e é muito mais simples tratar o mau hálito do que tratar as consequências das desordens psicológicas e do isolamento social. Então, seja afetivo, ofereça ajuda ou se ajude.