Por que nós dentistas, que fazemos tratamento para o mau hálito, queremos saber tanto sobre a vida dos nossos pacientes e queremos que eles sejam saudáveis? Começo o artigo com esse questionamento porque muitos pacientes não entendem o motivo de fazermos tantas perguntas como: qual foi a última vez que você fez um exame de sangue? Você sabe o seu tipo sanguíneo? Tem alguma doença venérea? Usa alguma droga ilícita? O intestino funciona bem? Quantos copos de água toma por dia? E assim por adiante. É pergunta que não acaba mais. 

Sim! A consulta para pessoas que precisam de tratamento para halitose (mau hálito) e alterações salivares é bem longa. Precisamos conhecer todos os hábitos. O simples exame clínico não nos ajuda a concluir o diagnóstico da halitose. Além dos questionamentos, fazemos nessa consulta alguns exames, que são: sialometria (saliva), organoléptico (avaliação qualitativa do odor expirado) e halitometria (quantificação do odor expirado). 

A consulta pode até parecer constrangedora, mas não é! É sigilosa, indolor e muito tranquila. O tratamento da halitose não é algo como “toma esse remedinho que passa”. Não, não existe medicamento que trate a halitose. O diagnóstico é o que irá nos orientar como será o tratamento e uma previsão do tempo necessário para isso.
Agora, uma coisa é certa, a vida desse paciente muda e muda para muito melhor.

Por que digo isso? Porque para ter saúde bucal é preciso que tenhamos uma vida saudável. Isso inclui atividade física regular, alimentação equilibrada, vida pessoal e profissional satisfatória. A ausência desses fatores é capaz de desencadear processos como estresse, baixa imunidade, doenças bucais, sistêmicas, desequilíbrio emocional e, claro, o tão famigerado mau hálito.

Nessa onda saudável, uma coisa puxa a outra. O mau hálito fica tratado, a pessoa remodela o corpo, muda suas atitudes para melhor, desenvolve a autoestima, autoconfiança, paz e, resumindo, se torna muito mais feliz. Então quer dizer que tratar o mau hálito ajuda a resolver muitos outros problemas? Sim! Sim! Claro que há casos que precisamos da ajuda de outros profissionais da área da saúde. É como digo, não existe saúde bucal sem saúde sistêmica, ou vice-versa.

*Karyne Magalhães é cirurgiã-dentista, habilitada em Halitose e Laserterapia, vice-presidente da Associação Brasileira de Halitose (Abha) e membro da Associação Brasileira de Odontologia (ABO-GO).