Os cáseos amigdalianos são bolinhas esbranquiçadas ou amareladas que não cheiram bem e se desprendem das amígdalas quando se espirra, tosse, engole saliva ou, até mesmo, quando se comprime a região das amígdalas. As amígdalas estão na região mais posterior da boca. Elas fazem parte da orofaringe. Como quase todos os órgãos, elas são pares. Então, temos as amígdalas direita e esquerda. E nem sempre as duas serão acometidas pelos cáseos, que podem se desenvolver em diversos tamanhos e quantidades.

Se houver cáseo, de uma forma ou outra ele será eliminado. Você pode até não perceber e engolir sem sentir. No entanto, se ele sair e você o sentir na boca, por favor, não espremer essa massinha, pois o cheiro é terrível. E esse odor é o tipo de cheiro que fica impregnado, sabe como é? Se não, nem queira.

A tal massinha não é nada mais do que uma placa bacteriana (biofilme) mais densa, encorpada e viscosa. É uma mistura de micro-organismos, células descamadas da mucosa bucal, resíduos alimentares e proteínas salivares.

A adesão e formação dessa placa bacteriana dependem:

- Alterações na quantidade e qualidade salivar: um menor fluxo salivar compromete a autolimpeza bucal. Sendo assim, a saliva muito viscosa facilita a formação do cáseo.

- Deficiência na higienização bucal, inclusive da língua: isso facilita o acúmulo de matéria orgânica (cáseo).

- Criptas amigdalianas muito profundas (buraquinhos das amígdalas): são mais favoráveis à retenção da matéria orgânica.

Há tempos atrás se removia as amígdalas mesmo quando não havia infecções recorrentes. Mas hoje, os médicos otorrinolaringologistas são bem cautelosos. As amígdalas têm como principal função a proteção da nossa saúde. Elas colocam o organismo em alerta, produzindo anticorpos contra os micro-organismos. Entretanto, em alguns casos, a remoção das amígdalas (também chamadas de tonsilas) é indicada, principalmente em casos de infecção recorrente.

Em algumas situações, a halitose (ou mau hálito) pode estar relacionada aos cáseos. Por esse motivo, as amígdalas nunca passam despercebidas quando fazemos a inspeção bucal (oroscopia). Em alguns casos, pedimos aos pacientes que tentem manter sob controle a ânsia de vômito quando afastamos bem a língua para essa inspeção. Não é todo mundo que tem esse controle. Então, há casos que é um pouco mais difícil fazer essa observação. De qualquer forma, se há suspeita de mau hálito por desordens otorrinolaringológicas, encaminhamos o paciente ao médico otorrino.

Além do mau odor bucal, os cáseos podem causar desconforto, como inchaço, irritação local, sensação de algo parado, arranhando a garganta, gosto ruim e alteração de paladar. Como as amígdalas estão na orofaringe, o trabalho multidisciplinar poderá ser indicado. Em casos de indicação cirúrgica, há a cirurgia convencional (amigdalectomia - extirpação) e a criptólise, que é uma cirurgia a laser.

Os cáseos não são uma doença, mas sim um transtorno que pode ser solucionado de maneira conservadora ou cirúrgica.  Se você produz cáseos constantemente, o primeiro profissional que deve buscar é um cirurgião-dentista qualificado no diagnóstico e tratamento das alterações salivares e do hálito. Se houver necessidade, o otorrinolaringolista será o próximo profissional a colaborar com o tratamento.

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*Karyne Magalhães é cirurgiã-dentista, habilitada em Laserterapia e qualificada no tratamento da Halitose, vice-presidente da Associação Brasileira de Halitose (Abha), membro da Associação Brasileira de Odontologia (ABO-GO) e membro da Sociedade Brasileira de toxina botulínica e implantes faciais (SBTI). Acesse karynemagalhaes.com.br e botoxgoiania.com.br.

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