Você já ouviu falar que cárie é uma doença transmissível? Escutamos, até mesmo, que essa contaminação inicia ainda quando se é bebê? Isso não é verdade.  Hoje já sabemos que cárie não é transmissível. Quando nascemos, passamos de um meio livre de micro-organismos para um mundo cheio deles. É normal! Esses micro-organismos, quando estão em equilíbrio, não são capazes de promover doenças bucais ou sistêmicas.
 
Mas afinal, por que não transmitimos a cárie e o que transmitimos então? Nós transmitimos diversas bactérias, vírus e fungos quando beijamos na boca, trocamos talheres, sopramos a comida para esfriar, praticamos sexo oral e outras coisas. Isso acontece porque essas ações envolvem a saliva, e se fazemos algo em que entramos em contato com a saliva, pode ter certeza que a sua flora bucal foi alterada. É que a saliva é o fluido corporal mais importante e o melhor protetor da saúde bucal. Esse preciso líquido também é estéril, mas só até entrar na boca. Assim que a saliva penetra a boca, ela se "contamina" com a flora microbiana bucal.

No entanto, no caso da cárie, é diferente. Para que alguém desenvolva a cárie, é necessária a ingestão de carboidratos e açúcares em geral.  Esses carboidratos, em contato com o dente por um período prolongado, podem ocasionar lesões às estruturas dentais frente às desmineralizações ocasionadas pelo pH bucal que estará reduzido. Sendo assim, essa doença não acontece em um piscar dos olhos. Desenvolver uma cárie envolve, na maioria das vezes, um descuido com a higiene bucal e omissão as consultas odontológicas preventivas.

Mas como evitar a cárie? Para isso, inicie a prevenção desde o aparecimento do primeiro dente da criança. Nessa época, já se pode usar a escova de dente, creme dental COM FLÚOR e fita dental. O ideal é fazer a higienização pelo menos três vezes ao dia. Além desses cuidados, a alimentação também é uma grande aliada. Dê preferência aos alimentos menos processados e mais naturais, que te obrigarão a mastigar por mais tempo, estimulando, assim, a produção salivar. Sabemos que comer faz bem, mas não coma toda hora. Estabeleça horários, podendo dividir em seis refeições diárias. Assim, você dá tempo para o pH salivar remineralizar a estrutura dental.

A ingestão de água também é fundamental para "lavar" a boca, que seria a mesma coisa que "banhar" os seus dentes, mucosas e língua, depurando resíduos alimentares e bactérias. 

Quer mais dicas?

- Faça a profilaxia dental (limpeza) a cada seis meses;

- Masque gomas de mascar (chiclete) sem açúcar e com xilitol após as principais refeições (almoço e jantar) por no máximo 15 minutos;

- Após as refeições, espere 30 minutos para escovar os dentes. Você pode passar a fita dental e bochechar água. Passado os 30 minutos, escove os dentes;

- Use apenas os produtos que o seu cirurgião-dentista recomendar. Cada pessoa tem uma necessidade diferente;

- Cuidados com as dietas malucas para "alcalinizar" o organismo. Pergunte ao seu dentista se você pode.

*Karyne Magalhães é cirurgiã-dentista, habilitada em Laserterapia e qualificada no tratamento da Halitose, vice-presidente da Associação Brasileira de Halitose (Abha), membro da Associação Brasileira de Odontologia (ABO-GO) e membro da Sociedade Brasileira de toxina botulínica e implantes faciais (SBTI).Acesse saudesalivar.com.br e botoxgoiania.com.br.

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