Alguma vez você já sentiu como se a sua boca estivesse pegando fogo? Aquela sensação de pimenta que queima ou arde ao extremo? Se a resposta for afirmativa e se essa sensação é frequente na sua vida, sentindo algumas vezes ao longo do dia ou durante todo o dia, é preciso que você consulte um dentista especialista em doenças bucais ou qualificado no tratamento das disfunções salivares. 

Pode ser o que chamamos de Síndrome da Ardência Bucal, situação clínica na qual o paciente se queixa de dor bucal de caráter queimante, mas sem haver sinais de inflamação da mucosa bucal. Quem sofre com essa alteração apresenta o paladar distorcido e a boca seca, afetando mais a língua, particularmente a ponta e os 2/3 anteriores, seguido do palato duro (céu da boca) e lábios.

No caso das mulheres, várias são as causas que podem levar a apresentar essa síndrome. Alguma delas são: alergia, álcool, bactéria Helicobacter pilory (H pylori), Disfunção da Articulação Temporomandibular, transtornos da inervação e salivação, déficit de ferro, de vitaminas do complexo B, A e D, zinco, ácido fólico, menopausa, hipotireodismo, diabetes, depressão, ansiedade e Refluxo Gastroesofágico (RGE).

A Síndrome da Ardência Bucal é uma doença comumente encontrada na prática clínica e que passa despercebida pelo profissional, já que em muitos casos a paciente acha que essa alteração pode ser normal e que com o tempo esse incômodo irá passar. Os sintomas podem variar de moderados a severos, com dor, ardor ou alteração da sensibilidade da língua ou mucosa bucal, disgeusia (distorção de paladar), xerostomia( sensação de boca seca) ou hipossialia (baixa salivação).

Fatores agravantes da dor: tensão, fadiga, períodos prolongados de fala, alimentos picantes, quentes, cítricos, excesso de café e outros alimentos que diminuem a produção de saliva. 

O que poderia atenuar a dor? Alimentos frios, distração, produtos específicos para higienização bucal, estimulação salivar e umectantes bucais. 

O tratamento é um processo contínuo e, para aliviar os sintomas, lançamos mão de tratamentos como laser, eletroestimulação das glândulas salivares, outros estimuladores de saliva, adequação da dieta, prática de atividade física, tratamento dental e psicológico (quando necessário), ou, até mesmo, medicações para depressão e estresse.

Mais informações sobre o assunto podem ser consultadas no site saudesalivar.com.br.
Infelizmente esse é um problema que acomete mais as mulheres, normalmente na quinta década de vida, acontecendo de três a 12 anos após a menopausa. Nem sempre temos um tratamento que resolva de vez essa síndrome, mas com certeza os tratamentos oferecidos melhorarão muito a qualidade de vida dessa paciente, já que essa doença pode deixar a mulher com os nervos "a flor da pele." 

*Karyne Magalhães é cirurgiã-dentista, habilitada em Halitose e Laserterapia, vice-presidente da Associação Brasileira de Halitose (Abha) e membro da Associação Brasileira de Odontologia (ABO-GO).