A amamentação cruzada acontece quando uma mulher amamenta a criança de outra. Talvez você, assim como eu, já tenha visto isso acontecer ou ouvido falar sobre esse assunto. E isso acontece mesmo depois da década de 1980, período em que a amamentação cruzada passou a ser contraindicada pelo Ministério da Saúde e Organização Mundial da Saúde (OMS). Mas se há contraindicação, porque as pessoas ainda continuam com essa prática? A resposta é simples: desinformação.

Recentemente, a amamentação cruzada foi tema de cenas da novela O Outro Lado do Paraíso, da Rede Globo. E bastou a prática aparecer em horário nobre para a pauta vir à tona. Ao contrário do que foi mostrado na TV, esse exercício não é recomendado. Em meados dos anos 1980 a maior preocupação do Ministério da Saúde e da OMS era a transmissão do vírus HIV, a Aids, além do HTLV, vírus linfotrópico da célula T humana. Assim, a amamentação cruzada passou a ser contraindicada. Isso porque o leite materno e as "rachaduras" no seio da mãe (que aparece em alguns casos) são fontes de transmissão desses e outros microrganismos.

Temos sempre que ter em mente que boa aparência não está relacionada à boa saúde. É como sempre digo: quem vê cara não vê boca (neste caso, quem vê cara não vê estado de saúde). Às vezes, até a própria mulher que vai amentar acredita verdadeiramente que está saudável. Mas ela pode estar no que chamamos de período da janela imunológica, que é quando o vírus encontra-se “adormecido” e não é ainda acusado em exames.  

Além disso, a mamãe tem que estar ciente de que é o próprio corpo que sabe reconhecer as carências de nutrição e de proteção do bebê. Então, não existe leite fraco. Aquela secreção mais amarelada e ralinha, produzida na primeira semana, é o que nós chamamos de colostro. O colostro é um tipo de imunização natural. Essa é considerada a fase mais importante na transmissão de anticorpos da mãe para o recém-nascido, diminuindo, assim, as infecções e reduzindo a mortalidade infantil. Então, se acha que seu leite está fraco por estar assim, não opte pela amamentação cruzada ou pelo uso das fórmulas lácteas. 

Amamentar, além de proteger o seu filho contra diversas desordens e patologias sistêmicas, ajuda no desenvolvimento facial através dos movimentos de sucção e deglutição, que não se equiparam quando o bebê os faz através das mamadeiras. Mas se realmente você não tiver leite e precisar, recorra a um banco de leite humano (BLH). Acredito que todo mundo concorda que o ato de alimentar uma criança que precisa com o próprio leito é muito bonito. No entanto, para evitar que uma situação complicada se torne ainda pior, a ajuda não deve vir dessa forma. 

Assim, se você deseja doar seu leite materno ou se o seu bebê precisa do alimento, você deve procurar um BLH. Essas instituições atendem requisitos de preparo, tratamento e pasteurização do leite. Se tiver alguma dúvida sobre o assunto, ligue para o canal SOS Amamentação. O número é 08000-268877

*Karyne Magalhães é cirurgiã-dentista, habilitada em Laserterapia e qualificada no tratamento da Halitose, vice-presidente da Associação Brasileira de Halitose (Abha), membro da Associação Brasileira de Odontologia (ABO-GO) e membro da Sociedade Brasileira de toxina botulínica e implantes faciais (SBTI). Acesse karynemagalhaes.com.br e botoxgoiania.com.br.

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