Ser compreendido, compreender o próximo e estabelecer uma comunicação saudável. Esses são alguns dos nossos desafios de cada dia. Não são raros os momentos de aflição por ter dito algo errado na hora imprópria para a pessoa menos indicada. E nesse momento, vem a famosa frase: “eu não quis dizer isso!”.

Quando pensamos na comunicação via web, todos esses desafios são maximizados. Isso acontece porque deixamos de ter determinados recursos essenciais da linguagem corporal, responsáveis por nos ajudar no processo. Dois momentos interessantes me ocorreram esta semana, quando conversava via WhatasApp. O primeiro foi com um casal de amigos e um deles escrevia em CAPS. Constantemente ele justificava: “não estou gritando, mas preciso manter a letra MAIÚSCULA, pois uso no trabalho e é ruim trocar toda hora”. Essa justificativa repetitiva deu margem para falarmos sobre a postura da pessoa e a forma como ela fala. Eu disse que não conseguia imaginar que ele pudesse gritar um dia, por isso não interpretei nessa conversa o CAPS como uma fala em tom alto.

Então, percebi algo relevante. Transferimos para nossa comunicação a memória que carregamos de determinadas pessoas. Dica: Deixemos boas memórias nossas!

O segundo momento foi em uma conversa de grupo. Nós falávamos sobre uma piada da vida moderna: a filha pergunta para mãe como ela foi feita. A mãe responde: começou quando seu pai me chamou no Facebook e disse “oi sumida”. Com relação à piada, espero que estejam rindo o mesmo tanto que eu quando li! Hahahaha. Certamente, eu contando essa piada pessoalmente ou com o recurso da imagem, ficaria mais engraçado. Está aí outro exemplo da comunicação e suas facetas.

Mas por conta disso, discutimos sobre as formas de respostas e como agimos a partir delas. Existe uma forte teoria com relação ao “Oi”. Por exemplo: quando respondido com “Oiiiii” significa que a pessoa ficou imensamente feliz com o seu contato e te deu muita moral. Mas se for apenas com “Oi” é melhor nem continuar a conversa. O que existe de verdade ou mito nessa teoria, só testando para saber. Afinal, cada caso é um caso, mas vale ficarmos atentos. Um “ok” é outra expressão clássica que pode ser interpretada de várias maneiras. Para mim, pode soar como algo seco, mas para outra pessoa significar o mesmo que “está tudo certo”.

Exatamente por isso, a forma como nos comunicamos, assim como o meio que nos comunicamos ou, ainda, o canal de comunicação, influencia diretamente no sucesso de ser compreendido. Todavia, os fracassos são recorrentes e, nesse sentido, vale a pena falarmos sobre os motivos responsáveis por eles. É preciso, antes de tudo, se desarmar para estabelecer uma comunicação eficaz. Quando começamos qualquer conversa com julgamentos ou sentimento pautado na raiva é pouco provável se fazer compreender. 

Agora, pense comigo: o tanto de insanidades ditas mentalmente e por obra divina não tornamos externas! Seria a terceira guerra mundial. Assim, vale ter atenção ainda para o contexto, quando precisar se fazer entender, repassar uma informação ou comunicar um acontecimento. A capacidade de compreensão, assim como as vivências e personalidades de cada indivíduo, dizem muito sobre a forma como sua mensagem será interpretada.

É importante analisar as partes interessadas da comunicação, quais são também seus interesses e, a partir daí, decidir qual meio usar ou a forma, bem como o melhor horário para estabelecer uma conversa. Infelizmente, devido à educação de base recebida por boa parte dos brasileiros, o domínio da escrita não é algo comum. Isso tem prejudicado muito a compreensão quando precisamos mandar mensagens. As faltas de acentuação e pontuação podem mudar o rumo da prosa. Mais um motivo que colabora para os desencontros comunicacionais. 

É nossa triste mania de não ouvir ou não ler com a intenção de compreender o outro, mas sim com intuito de confabular uma resposta o mais rápido possível. Precisamos lembrar que estabelecer a comunicação não é o mesmo de entrar numa competição! E foi bem isso que eu quis dizer. 8-)

*Tércia Duarte é graduada em hotelaria, especialista em marketing e em Letramento Informacional, além de colunista no site Ideia de Marketing. É professora universitária e mãe do Fernando desde 2009