Quando o assunto é o tratamento do câncer, talvez um dos efeitos mais temidos pelas mulheres quanto à quimioterapia seja a queda dos cabelos. Prova disso é que um estudo realizado por uma marca de cosméticos em diferentes cidades do Brasil com mulheres, de 18 a 35 anos, revelou que para 85% das entrevistadas, o cabelo é um fator determinante na autoestima.

Reafirmando o resultado da pesquisa, médicos e psicólogos são unânimes ao afirmarem que a boa autoestima da mulher é algo fundamental no tratamento do câncer e merece atenção. “A queda do cabelo impacta mais as mulheres, pois é uma exposição de que ela está sendo tratada de uma doença grave. Isso fragiliza muito ela e influencia na motivação do tratamento. Quando a paciente vê o cabelo caindo, acontece uma baixa de energia. É um momento muito difícil. É quando ele concretiza que está fazendo o tratamento para um câncer”, considera a médica hematologista Reginara Dias Fernandes.

A psicóloga Maria Cristina Pagliaro, de 58 anos, conta que viveu esse momento angustiante quando fez o tratamento de um câncer de mama, em 2017. “A gente acha que não vai ser tão importante, mas quando você começa a ver os fios caírem, sente o baque e pensa: meu Deus, vou ficar careca. Para mim, isso foi muito sofrido. Acredito que para toda mulher seria semelhante”, relembra. A perda dos cabelos a impactou tanto que ela optou por confeccionar uma peruca. “Eu não gostava de me olhar no espelho. Então logo fiz uma peruca igual ao cabelo que eu tinha. Foi muito dolorido.”

Segundo Reginara, que é diretora técnica do Hemolabor, é muito comum receber pacientes mulheres que perguntam instantaneamente se os cabelos vão cair com o tratamento de quimioterapia. A especialista explica que a alopecia, perda de pelos e cabelos do corpo, está muito relacionado ao tipo de quimioterapia, sendo algumas muito mais agressivas do que outras. “Por esse motivo, a touca térmica com sistema de resfriamento do couro cabeludo se torna uma esperança para aquelas que não querem perder os cabelos nesse momento tão delicado. Apesar de não ser eficaz em 100% dos casos, a touca é hoje o método mais eficiente contra esse efeito colateral de uma boa parte dos tratamentos de quimioterapia”.

O equipamento gera uma temperatura que varia entre -20°C a -35°C, circulante, que mantém o couro cabeludo entre 9°C e 17°C durante a aplicação da quimioterapia, o que faz com que uma menor quantidade de medicamento chegue ao cabelo. “A touca resolve em alguns casos e, em outros, ameniza, dependendo do tratamento e da resposta de cada organismo. De qualquer forma, é uma aliada”, pontua a hematologista, acrescentando que existem alguns outros cuidados que o paciente tem que ter, em relação à lavagem, tipo de shampoo e escova a serem utilizados durante o tratamento para o melhor resultado possível.