Durante a pandemia, com muitos jornalistas fazendo entradas ao vivo de suas casas na TV, eles voltaram a brilhar. Chegou até mesmo a ter piadas na internet de quem tinha a biblioteca mais bonita. Apesar da popularização dos livros e leitores digitais, os objetos de papel com suas capas multicoloridas e variedades de tamanho servem também como trunfo na decoração de ambientes. Uma das grandes vantagens é que os livros falam muito sobre a personalidade e os gostos do morador.

“Gosto muito de usá-los nos meus projetos porque transmitem mensagens para quem chega na casa. De forma subliminar, você consegue entender quem é o morador. Dar personalidade ao ambiente é o que a gente procura quando pensamos na decoração de interiores. Quanto maior o uso de objetos que remetam ao cliente, menor será o risco de termos um ambiente frio, de um decorado”, exemplifica a arquiteta Ana Maria Miller. Uma característica marcante dos projetos dela é o cuidado em aliar bem-estar, funcionalidade e segurança.

Ana Maria ressalta que não existe uma maneira certa, mas sim um contexto onde o livro se encaixa de maneira harmônica na decoração do ambiente. “Não gosto da palavra preencher porque acho pejorativo. Quando usamos livros como objetos decorativos, o que queremos é encher o espaço. Ao montar um ambiente sem a presença deles, a impressão que tenho é de que o espaço está pelado”, conta. Uma das preocupações é sempre utilizar livros que tenham significado para os moradores.

Eles podem estar nas clássicas mesas de centro e laterais, aparadores, estantes e prateleiras. Uma vantagem é que é fácil trocar a decoração, bastando para isso rearranjá-los de outra forma. De pé em estantes, as lombadas coloridas criam um efeito interessante, alturas e espessuras diferentes fazem o ambiente brilhar aos olhos. “Um cuidado fundamental é ficar atento às proporções. Um livro muito grande com um objeto pequeno ou vice-versa deve ser evitado”, ensina Ana Maria.

Na hora de compor os livros com outros objetos, a palavra de ordem é criatividade. Vasos de vidro, porta-retratos, esculturas e velas dão sempre um efeito interessante associado às obras impressas, desde que a proporção seja respeitada. O maior erro nesse caso é não prestar atenção a isso e o livro acabar se sobressaindo de forma desarmoniosa ou vice-versa. “Outro cuidado fundamental é com as cores, que não devem brigar com a paleta escolhida para o ambiente”, conta.

As estantes são em geral a primeira opção para quem tem muitos livros. Uma boa dica para usá-los é a disposição por tamanho e formatos parecidos, criando um efeito progressivo ou alinhando lado a lado em um degradê de cores. Dispor em pequenos grupos – estes mesclados com objetos de decoração – dão um charme a mais na composição, deixando o ambiente harmônico e muito carismático. Na cozinha, a posta de livros de receitas e culinária é certeira para deixar o ambiente mais pessoal.

Biblioteca dos sonhos

Apesar dos revezes trazidos pelo avanço da tecnologia, os livros impressos ainda resistem e são objetos que merecem respeito. A arquiteta Tainá Torres conta que sonha um dia projetar sua própria biblioteca. Enquanto isso, ela torna realidade o desejo de seus clientes. Normalmente, quem a contrata com o pedido de ter um espaço especial para os livros são pessoas mais tradicionais que não abrem mão de folhear as obras.

O amor tátil pelos livros norteia os pedidos. “Os livros são peças curinga na decoração. São sempre bons, nunca exagerados. Servem para dar cor e dinamismo na decoração”, explica. Para os apaixonados por leitura, a arquiteta recomenda prateleiras normalmente no escritório da casa ou apartamento. Um cuidado fundamental é o reforço para que a estrutura suporte o peso dos livros. “É preciso também ficar atento à profundidade dos armários e prateleiras que vão receber a biblioteca do cliente”, ressalta.