Brancos, pardos, pretos, amarelos e indígenas. Se para o IBGE a população pode ser divida em cinco grupos, de acordo com a cor da pele, a classificação do espelho é infinitamente mais ampla. Pálida, encerada, morena jambo, branquinha, café com leite, cor de ouro, sapecada, queimada de sol. As percepções são algumas das 136 que os pesquisadores do censo ouviram, no final da década de 1970, diante do questionamento: qual é a sua cor? Preocupadas com essa diversidade, marcas de maquiagem têm aumentando seu portfólio, incluindo opções de base que vão além das tradicionais bege claro, médio e escuro.

Mesmo com o delay, profissionais da área garantem que ter no mercado, mesmo tanto tempo depois, linhas de base com até 20 tons diferentes já representa um importante passo rumo a um novo padrão da indústria de beleza. “Antes, precisávamos misturar vários produtos para atender, por exemplo, as mulheres de pele negra ou mais amarelada. Muitas ainda insistiam em usar bases importadas que, geralmente, possuem fundo rosa, o que pode deixar o rosto com um aspecto acinzentado”, explica a maquiadora Tatiane Miguel. Morena amarela, como se autointitula, a profissional conta que passou anos procurando sua base ideal.

Há três anos, ela ministra cursos de automaquiagem e aponta a escolha da base como um dos maiores desafios das alunas. “Na maioria dos casos, por não encontrar no mercado a cor certa para sua pele, a mulher acaba apostando num tom mais claro. O contrário também ocorre pela mania de se testar o produto no pulso ou nas mãos, partes geralmente mais escuras que o rosto. O certo é, antes de comprar a base, aplicá-la no colo e optar por aquela cuja cor mais se aproxima do seu corpo”, ensina. Ela garante que hoje em dia o processo está mais fácil, tanto para quem não abre mão de ter no estojo maquiagens importadas quanto para as amantes dos produtos nacionais.

Oásis da beleza

Em setembro do ano passado, por exemplo, a Fenty Beauty, marca de cosméticos da cantora Rihanna, lançou um modelo de base disponível em 40 opções de tons. Além de nuances claríssimas e outras dez pensadas exclusivamente para as peles negras, o item traz diversos subtons pensados para peles de fundo amarelado, rosado, acinzentado ou verde-oliva. No mesmo caminho, tanto marcas mais acessíveis, como Maybelline e L’Oréal, quanto as chamadas premiuns, como Lancôme, NYX Cosmetics e Dior, adotaram a estratégia de mercado e passaram a disponibilizar mais de 30 cores em seus últimos lançamentos de base.

Por aqui, a diversidade de tons de pele também fez com que marcas como Natura, Eudora e Vult expandissem seus portfólios. A Avon já trabalha com tons como rosado-médio, amêndoa, avelã, canela, mel (claro e escuro). Já a Ruby Rose lançou há pouco tempo quatro tons dentro da cartela nude e outros nove na chocolate. Recentemente, o Boticário se inspirou em mulheres de diferentes regiões do Brasil para também ampliar sua carteira de produtos. Em um estudo, que durou cerca de três anos e contou com a participação de 1560 voluntárias, a marca encontrou 168 tons de pele que, agregados pela proximidade de subtons, serviram de referência para a criação de novas cores de base.

“Com isso, esperamos resolver o problema de 74% das mulheres que têm dificuldade em encontrar produtos para a sua tonalidade. Nesse processo, consideramos também os subtons e criamos pigmentos encapsulados que evitam que a base fique com o aspecto acinzentado, ou avermelhado, após a aplicação na pele”, explica o gerente de Categoria Maquiagem do Boticário, Diego Costa. Segundo o profissional, a pesquisa possibilitou que a marca desenvolvesse um portfólio otimizado, que, a partir de 32 cores, atenderá a 98% dos tons e subtons de pele brasileira, o que inclui uma parcela pra lá de importante: as 51% que se autodeclaram preta e parda.

Como acertar na escolha

Mesmo diante de tantas opções, é possível que a escolha da base ideal venha acompanhada por dúvidas. Por isso, a dica é seguir algumas regras básicas dadas pelo maquiador Sadi Consati:

Não teste a base na mão ou no pulso. Quanto mais distante do rosto, maior a diferença de coloração;

Teste a cor no colo ou no maxilar. Assim, será possível comparar o tom com rosto e o pescoço;

Escolha três tons diferentes que se aproximam da cor da sua pele, aplique e espere secar;

É importante que o produto “desapareça”;

Desconfie das fórmulas de “tom universal”, cuja cor promete se adequar a todos os tons de pele.

Meu tipo de base

Além da cor, o tipo da base, no que se refere a textura e a acabamento, influencia muito no resultado final, já que cada tipo de pele responde de maneira diferente diante de consistências líquidas, cremosas e mais sólidas. Tudo porque a função do produto vai além de uniformizar a cor da pele e corrigir pequenas imperfeições. Segundo o maquiador oficial da Natura, Marcos Costa, ele também serve para manter a hidratação e proteger.

“É preciso levar em conta os tipos de pele. Para as secas, por exemplo, o ideal são bases de texturas líquidas e cremosas. Já as oleosas, respondem melhor aos produtos com texturas fluídas”, ensina, destacando a diversidade de opções encontradas atualmente no mercado, em especial as fórmulas inteligentes que hidratam as zonas secas enquanto matificam as oleosas. Sobre o acabamento, a base matte, com efeito seco, é mais indicada para quem tem pele oleosa, enquanto a hidratante evita que a pele seca fique craquelada.

O segredo do toque

Em relação à textura da base, vale levar em conta o tipo de pele, o processo de aplicação do produto e a necessidade de cada mulher:

Líquida: indicada para peles normais e secas. A grande vantagem é que se espalha facilmente no rosto, proporcionando um efeito natural;

Pó: queridinha de quem tem pele oleosa, é fácil de aplicar, mas peca no quesito durabilidade e a cobertura não costuma ser tão boa quanto a da base líquida;

Cremosa: tem alta cobertura e efeito mais pesado, mas a vantagem é que cobre bem as imperfeições;

Compacta: indicada para todos os tipos de pele, exige atenção redobrada durante a aplicação, já que, devido à textura, pode deixar o rosto com aspecto manchado;

Mousse: apesar do resultado aveludado, a cobertura é pesada, o que faz com que não seja indicado para peles oleosas;

Stick ou bastão: indicada para todos os tipos de pele, ótima para cobrir áreas como olheiras e espinhas.

Combinações certeiras

Antes de comprar a base, dê uma olhada na parte de dentro do seu antebraço, analise a coloração das suas veias e tenha em mãos as seguintes informações:

Azuis-arroxeadas: subtom frio, combina bem com bases rosadas;

Verdes-amarronzadas: subtom quente, pede bases mais amareladas;

Verdes-azuladas: subtom neutro, harmoniza com qualquer fundo;

Azuis-amareladas: subtom oliva, pede bases mais amareladas.

Sustentáveis em prol da diversidade

A tendência de abraçar a diversidade também invadiu o universo das maquiagens sustentáveis. A Simple Organic, por exemplo, recentemente colocou no mercado dez novas tonalidades de base, que vão do ultra-light ao dark, passando pelo vanilla e pelo caramel. Segundo a fundadora da marca, Patrícia Lima, a expansão do portfólio foi uma resposta à dificuldade que a mulher negra enfrenta para encontrar o tom certo de produtos para sua cor de pele.

Já a TB Make, marca que tem certificado Cruelty Free (não realiza testes em animais), lançou recentemente 12 novas cores de base hipoalérgicas e oil free, em parceria com a influenciadora Bruna Tavares. Ao todo, são seis cores que atendem a mulheres de pele branca e outras seis feitas para quem tem pele negra – todas com agentes antipoluição e antioxidante.

Bazar

De olho na diversidade do público feminino, marcas implementam o portfólio com opções de base que vão do ultraclaro ao super-escuro. Confira alguns lançamentos:

Boticário: com proteção solar FPS 55 e UVA ++, a linha Make B. Base Air Power, que já tinha oito cores, acaba de ganhar três novas tonalidades, além de acabamento mate natural, cobertura média e textura leve. Preço sugerido: R$ 89,9 (25 ml).

Simple Organic: com dez tons de base (líquida), a linha Plant Based tem extrato de calêndula, óleo de copaíba e o ácido. Na paleta de cores, tonalidades como dark, golden, almond e caramel. Preço sugerido: R$ 130 (30 ml).

TB Make: tipo oil free, a base matte hipoalergênica PPF da TB Make possui 12 tonalidades, seis que atendem a mulheres de pele branca e outras seis feitas para quem tem pele negra. Preço sugerido: R$ 49,9 (40 ml).

Natura: batizada de Natura Nude Me Sérum FPS18, a linha composta por oito cores tem fórmula não oleosa, textura ultrafina pigmentos que garantem adaptação perfeita de cor. Preço sugerido: R$ 109,9 (30 ml).

Vult: indicada para adora o efeito matte, a Base Líquida HD chegou ao mercado em 16 cores diferentes, promete hidratar enquanto uniformiza e deixar a pele com um efeito natural. Preço sugerido: R$ 35,9 (26 ml).