Tirar um pouquinho daqui, definir um pouco ali. Quem nunca quis alterar algum detalhe no corpo, que atire a primeira pedra. Quando os resultados não conseguem ser obtidos com atividades físicas e alimentação balanceada, os procedimentos estéticos e cirurgias plásticas podem entrar em ação. De meses em meses, uma em específico ganha novamente os holofotes e causa burburinho quando alguma celebridade exibe o “tanquinho” conquistado em tempo recorde: a lipo HD (high definition), também conhecida como lipo LAD (lipo de alta definição).

Mas o sucesso do procedimento ultrapassa a internet. O cirurgião plástico e membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica Dhyego Curado conta que a procura aumentou drasticamente nos últimos meses. “É importante frisar, no entanto, que não é indicado para qualquer um. É papel do médico selecionar pessoas que possuem hábitos saudáveis, prática regular de atividade física. A lipo não é para emagrecer, é para definir”, explica. O objetivo final é a harmonia do corpo, “limpando” as áreas de gordura localizada e dando o aspecto de abdome malhado, próximo a uma definição conquistada na academia.

Flacidez

A empresária Fernanda Begliomini Ribeiro, de 44 anos, passou pelo procedimento há cerca de 90 dias. Ela já era iniciada no mundo da lipoaspiração, com a primeira realizada há nove anos. “Quando se fala em lipoescultura, muita gente pensa que é milagre: fez e nunca mais precisa se preocupar com nada. Mas o colágeno em uma mulher da minha idade é totalmente diferente”, diz. “A lipo tradicional só retira a gordura, então optei pela HD dessa vez.”

No caso dela, foi retirado cerca de 1,5 kg de gordura das costas e 1 kg da barriga. “A intenção da lipo HD é essa, não retirar muita coisa e definir o contorno, como uma definição de musculação. Por isso, não é indicada para quem está muito acima do peso. Eu mesma não precisei emagrecer para fazer a cirurgia”, destaca.

O pós-operatório de Fernanda, além dos sete dias de repouso, contou com drenagens e massagens. “Esse é um ponto importantíssimo para quem faz a lipo HD. Você incha muito, retém líquido. O uso da cinta também é fundamental”, conta.

Apesar de vendido como um procedimento com recuperação rápida e tranquila, a empresária lembra que não foi nada fácil. “Você usa uma armadura praticamente. Macaquinho de compressão, talas nas laterais, abdome e costas. Dorme com isso e só tira para tomar banho”, comenta. “Há médicos que mandam usar isso por três meses. O meu recomendou um mês de tala e dois de cinta. Hoje, já estou liberada”, comemora.

O resultado Fernanda define como sutil. “Esperava mais, na verdade. Mas pela minha idade e por ter passado por duas gestações, percebi que o resultado é bem diferente de uma mulher que é jovem, sem gestações”, comenta. Ao fazer um comparativo de antes e depois, ela diz que a diferença é pequena. “Esse é um contra do procedimento. Se você tem flacidez, não vá com muita expectativa, porque pode ser que cause ainda mais”, alerta. Ela dividiu a insatisfação com o seu cirurgião, que já indicou procedimentos para potencializar alguns efeitos e auxiliar na retração da pele. “Ele me disse que a radiofrequência é o único aparelho que vai ajudar nessa retração e estimulação do colágeno. Vou começar a fazer uma vez por semana.”

Tecnologia associada

Alguns dias após a realização do seu procedimento, o médico que operou Fernanda Begliomini Ribeiro passou a trabalhar com uma tecnologia chamada Renuvion, que atua diretamente na flacidez da pele. “Até brinquei com ele que era disso que eu precisava, e não da lipo”, diz. Essa tecnologia utiliza jet-plasma e gás hélio, atuando diretamente na flacidez da pele.

“A lipoescultura tem evoluído muito nos últimos anos. Associadas a ela, temos essas tecnologias avançadas, como para a retração da pele”, explica o cirurgião plástico Dhyego Curado. “Muitos pacientes fazem a lipoescultura e ficam com flacidez na pele e, até alguns anos atrás, não havia muito o que se fazer. Hoje, já é possível associar o procedimento com uma tecnologia na mesma cirurgia”, comenta. A gordura que é retirada no procedimento pode ser utilizada para realizar enxertos no bumbum, por exemplo. “A gordura é considerada o líquido de ouro, que passa por tratamentos e pode ser utilizada nessas aplicações e enxertos”, explica.

Tanto a radiofrequência, quanto o Renuvion, são usados para complementar e potencializar os resultados da cirurgia e serão indicados pelo médico de acordo com cada caso e necessidade. “De protocolo, o que a paciente deve fazer é realizar um pós-operatório bem feito. Usar as cintas e talas pelo tempo indicado e a drenagem linfática associada, feita com fisioterapeuta especializado”, explica. Os resultados já começam a ser vistos a partir de 15 dias. “A lipoescultura causa um edema nas primeiras semanas. A partir de 15 dias, é possível começar a ver resultados. A partir de 30 dias, vemos 30% de resultado. Uns três meses depois, já temos 80% do resultado final”, assegura.

Após sete dias, o paciente já está liberado para voltar a suas atividades normais, como trabalho. Com 15 dias, pode retornar às atividades físicas, desde que usando a cinta. Os níveis de lipoescultura variam, podendo ir de mais agressiva, para uma maior definição, ou mais suave, de definição leve. “Isso vai de acordo com o gosto do paciente e do nível de atividade física que ele faz”, explica. A atividade física é uma recomendação fundamental para quem realiza o procedimento. “Também pensando no pós, é muito importante o retorno para a academia e dieta adequada”, diz.

Células-tronco são preservadas

Uma nova técnica de lipoaspiração HD a laser, que diminui de 25 para 3 dias o tempo médio de recuperação do paciente, foi apresentada em Goiânia há alguns dias. Chamada de One S.T.E.P, a tecnologia preserva as células-tronco da gordura para possibilitar o uso na medicina regenerativa: enxertos ortopédicos, preenchimentos de sulcos faciais, remodelagem corporal e rejuvenescimento facial, enxertia em glúteos e mamas, rejuvenescimento das mãos e regeneração capilar.

“A técnica consiste em uma tecnologia da luz laser que possui um comprimento de onda específico com os adipócitos. Essa alta especificidade proporciona um aspirado livre de tecido conectivo e células inflamatórias”, explica o cirurgião plástico Bruno Garcia. A luz laser altamente específica, portanto, possui grande afinidade com o tecido adiposo. “Por meio da técnica, eu consigo fazer um tracejado e definição da lipo HD mais definido e com segurança, prevenindo a formação de fibrose”, garante.

A técnica beneficia o paciente com redução de hematomas e edemas e uma significativa redução da dor, pois libera opióides endógenos naturais. Além disso, proporciona um menor dano tecidual, já que não utiliza força mecânica como a lipo tradicional. “Consequentemente, o paciente torna-se apto a retornar mais rapidamente às atividades laborais, já que reduz significativamente o período de recuperação”, finaliza.