Em isolamento social desde março, a primeira vez que Bruna Mendez, 28, colocou o pé para fora de casa foi para ir até o salão de beleza. “Estava há 40 dias sem sair de casa”, conta. Tomando todas as medidas necessárias contra a pandemia do novo coronavírus, a moça agora mantém o hábito de usar máscaras que a sua própria mãe tem confeccionado para a família.

Com o novo decreto do governo estadual que entrou em vigor esta semana, os salões de beleza puderam reabrir as portas, seguindo normas estabelecidas pelo documento. Entre as diretrizes, estão o uso obrigatório de máscaras e o funcionamento de salões e barbearias com só 50% da capacidade de atendimento.

Por conta do contato muito próximo entre o profissional da beleza e o cliente, os espaços têm reaberto aos poucos, adaptando a rotina de trabalho com as novas diretrizes. No salão localizado no Setor Nova Suíça, o cabeleireiro Mateus Silva conta que a higienização do salão foi reforçada de acordo com o decreto estadual e segundo as orientações do Ministério de Saúde.

“Diminuímos o atendimento a 50% da nossa capacidade, higienizamos cadeiras e material de trabalho a cada atendimento, criamos um sistema de rodízio entre os profissionais e pedimos para as pessoa evitarem acompanhantes”, explica Mateus. De acordo com o profissional, agora é obrigatório o uso de máscara por todos os presentes, além do próprio estabelecimento disponibilizar álcool em gel e em spray em todos os ambientes do salão. “Abraços não são permitidos, mas sorrir com os olhos tem sido o novo ‘obrigado, volte sempre!’”, destaca.

Ainda nos primeiros dias de reabertura, a maior procura pelo salão tem sido de serviços básicos de maior necessidade, como corte e retoques de colorações já feitas anteriormente. Mateus conta que uma grande maioria tem procurado por cortes que tenham uma duração maior, sem a necessidade de um breve retoque. “Esse comportamento tem sido provocado pelo receio de que o lockdown possa voltar a ser mais rigoroso”, expõe.

Há ainda clientes que estão no clima de mudança de rotina frente à Covid-19 e já levam até o profissional novas cores e modelos de corte dos cabelos. Os moods da temporada oscilam entre serviços básicos e duradouros versus mudanças radicais, pelo fato das pessoas estarem mais tempo em casa e com convívio social restrito. “Ao analisar nossos primeiros dias de funcionamento, estimamos que 20% dos clientes estão preferindo aguardar a quarentena passar totalmente ou, ao menos, esperam por um cenário mais tranquilo para poderem sair de suas casas e voltarem a frequentar o salão”, diz.

As mudanças de comportamento nos salões se esticam tanto para os funcionários e profissionais da beleza quanto para os clientes. Em estabelecimento no Setor Marista, o desafio é readequar todos os serviços oferecidos pelo espaço. De acordo com a cabeleireira Luciana Godoi, o local diminuiu pela metade o número de cadeiras e agora atende, no máximo, de quatro a cinco pessoas no mesmo período.

“Orientamos os clientes a não levarem acompanhantes e agendarem com certa antecedência para que possamos prestar nosso serviço com a maior responsabilidade possível”, destaca Luciana. Segundo a profissional, o uso de máscaras é obrigatório por todos, assim como o álcool em gel. “Para os clientes que chegam sem máscara, na entrada damos um kit com itens básicos no combate ao novo coronavírus”, explica.

O salão de beleza também tem migrado parte de seu serviço para a internet. Com entregas delivery de diversos produtos autorais oferecidos pelo local, como cremes, hidratantes e xampus, a ideia é que as pessoas saiam de casa apenas para serviços específicos. “Antes da pandemia, já tínhamos um cuidado com a higienização e esterilização dos equipamentos. Agora, entendemos que estamos em outro tempo e é preciso ter atenção redobrada”, finaliza.