A Copa do Mundo já passou, mas neste ano um dos jogadores que chamou a atenção pela aparência foi Alisson Becker, o goleiro da Seleção Brasileira de Futebol. Em uma entrevista coletiva que antecedeu o começo dos jogos, o craque chamou atenção por conta da cor da sua pele, avermelhada: “Por que a pele dele estaria tão vermelha?” Evitando entrar em detalhes, ele brincou: “Não me incomoda, não! Estou na puberdade! Faz parte”.
 
O presidente da Sociedade Brasileira de Dermatologia – Regional Goiás (SBD-GO), Adriano Loyola, esclarece a dúvida. “Aparentemente, o goleiro tem a rosácea, uma doença vascular inflamatória crônica, mas é preciso investigar.” Segundo Loyola, a rosácea é, erroneamente, chamada de ‘acne rosácea’. Mas a acne é uma doença da glândula sebácea, totalmente diferente da rosácea, seja pela causa, idade ou aspectos clínicos.
 
“A rosácea ocorre em 1,5% a 10% das populações estudadas, e principalmente em adultos entre 30 e 50 anos de idade. É mais frequente em mulheres, porém atinge muitos homens e, neles, o quadro tende a ser mais grave, evoluindo continuamente com rinofima – aumento gradual do nariz por espessamento e dilatação dos folículos”, explica Adriano.
 
Origem

De acordo com informações da SBD, a origem da rosácea ainda é desconhecida. Há uma predisposição individual (mais comum em brancos e descendentes de europeus), que pode ser familiar (30% dos casos têm uma história familiar positiva), evidenciando uma possível base genética.
 
Há, também, forte influência de fatores psicológicos, como o estresse. Hoje, considera-se importante a participação de um fungo (e de restos dele) da flora normal da pele, chamado Demodex folliculorum, e da bactéria Bacillus oleronius, que coloniza esse fungo. “O paciente pode fazer um diário das pioras e das remissões, relacionando isso às suas atividades, alimentação, estresse e outros fatores”, complementa Loyola.
 
Tratamento

De acordo com o dermatologista, não há cura para a rosácea, mas há tratamento e controle com avanços recentes. “Tudo depende da fase clínica em que o paciente está. Todos os agravantes ou desencadeantes devem ser afastados ou controlados – como bebidas alcoólicas, exposição solar, vento, frio e ingestão de alimentos quentes. Para o tratamento, são necessários sabonetes adequados, protetor solar com elevada proteção contra UVA e UVB e uso de antimicrobianos tópicos (metronidazol, ivermectina)”, enumera Loyola.
 
Orientações

Já que a doença é benigna, porém crônica com surtos e recidivas, a SBD recomenda seguir as seguintes orientações:
- Fazer diário de observação de fatores agravantes
- Proteger diariamente a pele contra o sol
- Evitar álcool e outros agravantes
- Usar maquiagem corretiva
- Ter cuidado com exercícios exagerados, drogas vasodilatadoras, ácidos tópicos, sabonetes com álcool ou acetona, esfoliações ou tratamentos agressivos de qualquer natureza
- Visitar periodicamente um médico dermatologista