Quando Meghan Markle casou-se com o príncipe Harry no início de 2018, as sardas espalhadas pelo rosto da ex-atriz, que fez questão de mostrá-las ao escolher uma maquiagem natural, chamaram a atenção positivamente e muitas mulheres se viram representadas. E, se antes aquelas que têm essas manchinhas tentavam escondê-las de todas as formas, hoje elas consideram as sardas uma característica que traz charme ao visual.

“Eu sempre tive sardinhas. Pelo menos é assim que me lembro ou, talvez, nunca tenha reparado nesse detalhe quando era pequena. A vaidade só me pegou quando fiquei mais velha. Além das sardas, também tenho muitas pintas. Cheguei a remover uma com uma dermatologista, mas foi a única que já me incomodou. De resto, quando me percebi sardenta, aprendi a amar essa característica. Não é qualquer uma que tem essa maquiagem de nascença”, brinca Karla Izumi, de 30 anos.

Repórter e apresentadora do Globo Esporte, da TV Anhanguera, Karla é publicamente acompanhada bem de perto, mas não demonstra preocupação com padrões de beleza. “Acho que, quando se trata do nosso corpo, sempre existe um processo de autoaceitação, que deve ser respeitado. Vivemos num mundo de vaidade e de padrões estabelecidos. As sardas costumavam estar fora desses padrões até virarem moda. Mas a moda passa, as sardas ficam. Aceite e ame.”

Esse é o caminho incentivado por movimentos como o encabeçado pela modelo inglesa Adwoa Aboah, o Sardenta, sim!, difundido no mundo da moda e beauté. “Acho que não precisamos de mais modelos ditando o que é bonito, mas ela é maravilhosa e essa é uma campanha de aceitação, um movimento de desconstrução de padrões e que, pelo alcance que uma modelo tem, vale apoiar. Isso pode ajudar as meninas mais novas ou aquelas que ainda não aceitaram as sardas”, diz a jornalista.

Representatividade

A estudante Lais Costa, de 15 anos, sabe que ainda vai lidar com opiniões alheias ao longo da vida, mas cedo já entendeu que o importante é o próprio sentimento. “No ano passado, sofri um pouco em relação às minhas sardas, mas não por críticas ou algo do tipo, apenas porque não gostava delas no meu rosto e isso me incomodava, mas, assim que percebi que elas fazem parte de mim, comecei a gostar e parei de usar maquiagem para tampar.”

É por isso que a jovem acredita no poder da representatividade. “Muitas pessoas sofrem ou já sofreram, usando vários produtos para esconder as sardas. Então, creio que esse tipo de movimento é importante para ajudar as pessoas a perceberem que somos do jeito que somos e a opinião de outras pessoas não deve ter tanto espaço”, afirma.

Herança genética

Herdadas geneticamente, as sardas são mais comuns em pessoas do fototipo 1, ou seja, brancas ou ruivas. Segundo o nutrólogo Weder Willian, especialista em gerontologia, o surgimento das manchas deve-se ao funcionamento atípico de algumas células diante da produção de melanina, que protege a pele dos efeitos nocivos dos raios ultravioleta.

As sardas não são indícios de possíveis doenças associadas à pele, como cânceres. “De forma alguma elas vão evoluir para algum tipo de doença. As sardas são meramente consequência de um processo genético de funcionamento atípico de algumas células epiteliais”, lembra.

Além do sol, a tela dos aparelhos eletrônicos, como tablets e computadores, também emite o sinal para que a pele produza melanina. Por isso, é importante o uso de protetor solar diariamente. “O ideal é proteger a pele dos raios ultravioleta durante o dia e cuidar da hidratação durante a noite. Esse é o segredo de uma pele saudável naturalmente”, orienta o médico.

Alimentação

O desenvolvimento da melanina continua com o passar dos anos e, portanto, alguns cuidados são importantes para que as sardas não se expandam a ponto de se juntarem umas às outras e configurarem grandes manchas na pele. Veja como alguns alimentos podem ajudar a conter a expansão das sardas:

LICOPENO

Responsável pela pigmentação vermelha das frutas e legumes, ele está presente no tomate, goiaba, melancia, pimentão vermelho, entre outros. Alimentos ricos em licopeno auxiliam a diminuir a produção exagerada de melanina.

LUTEÍNA

Tipo de proteína encontrada na soja e seus derivados e também no brócolis, limita o processo de oxidação e escurecimento da pele.

SELÊNIO

Mineral que auxilia no combate à oxidação da pele e contribui para conter a pigmentação das sardas, evitando que elas cresçam de tamanho. Está presente no girassol (óleo e semente) e no alho.

Acredite. Tem sardas fake

Nos últimos anos, diversas pessoas passaram a ver nas sardas um símbolo de charme natural, que confere autenticidade ao rosto. Inclusive, vários tutoriais na internet ensinam a reproduzir com maquiagem os efeitos visuais das pintinhas. Maquiador regional de O Boticário, George Luna acha que as sardas fakes “são muito legais e bem usáveis hoje em dia, claro, que com muita moderação”. O ideal é fazer na região central do rosto, próximo ao nariz e embaixo dos olhos.

 “Uma superdica é utilizar um lápis de tom marrom, meio acinzentado. Quem gosta dessa brincadeira com as sardas poderá reproduzi-las com a pele preparada ou apenas hidratada. O truque para deixá-las bem realistas é utilizar o lápis bem apontado e na posição vertical, encostar e rodar rapidamente sem pressionar. Após deixar um pouco marcado, dar leves batidas com o dedo sobre o pontinho para um resultado suave das sardas”, finaliza.