No meio de todas as mudanças na rotina diária, no trabalho e em casa após a quarentena ante ao novo coronavírus, a empresária Marivalda Adorno Prado, 53, percebeu algo inédito em seu corpo: os cabelos começaram a cair. “Fiquei durante um longo período muito preocupada comigo e com as pessoas ao meu redor”, conta. Reflexo dos sintomas de estresse e ansiedade, em um período de transformações no cotidiano, especialistas apontam que os cabelos também podem ser afetados e é preciso atenção redobrada com os fios.

“Foi aos poucos. Nunca tive problema com queda de cabelo e sempre me cuidei muito, em salão, com produtos. Por isso fiquei preocupada”, revela Marivalda, que foi logo buscando ajuda profissional na dermatologista. “Foi instantâneo. Logo depois que a quarentena começou, estive muito estressada e ansiosa, vendo todas as pessoas que não estão se cuidando, sem terem senso de coletividade, em diversos ambientes, como no trabalho”, conta.

O tratamento específico e acompanhado de uma profissional e a alimentação mais saudável foram os caminhos encontrados por Marivalda para que os fios parassem na cabeça. Para a empresária, é preciso ter um tempo para respirar, deixar o estresse de lado e celebrar a vida. “Tenho tentado sempre fazer um movimento de respiração, tomar um suquinho de maracujá. Não é fácil o que estamos vivendo. É necessário ter um pouco mais de fé.”

Antes mesmo da pandemia do novo coronavírus, o número de pessoas diagnosticadas com diversas doenças mentais, como ansiedade e depressão, já era ascendente. “Vivemos em uma sociedade ansiosa e estressada, em que o estresse é causador de muitas desordens. É também sabido que, de fato, um estresse intenso, fora do habitual da pessoa, que a faz perder sono, alimentar-se mal, que altera seu ciclo de vida normal, pode desencadear ou piorar a queda de cabelo”, destaca a dermatologista Maria Ligia Mendonça.

Com mudanças bruscas na rotina, o estresse acarreta o surgimento ou crescimento de problemas autoimunes do cabelo, como a alopecia areata, que causa falhas grandes no couro cabeludo. Há ainda a psoríase e a dermatite seborreica, que ocasionam descamação, coceira e vermelhidão no couro cabeludo. De acordo com Maria Ligia, o ciclo de crescimento dos cabelos sofre interferência, o que aumenta a queda chamada de eflúvio telógeno.

“Em geral, é autolimitada, ou seja, vai se resolver em torno de seis meses. Porém, quanto antes for identificada e tratada com medicações orais e tópicas, melhor para evitar que o cabelo fique ralo”, alerta a especialista, que lembra que a doença também pode ser gatilho para piorar outros quadros de queda. “O estresse também pode prejudicar a pele, pois o excesso de cortisol – hormônio liberado pelo estresse – é capaz de afetar o sistema imunológico”, completa.

Alerta

Diversos tratamentos específicos para queda de cabelo e fortalecimento do couro cabeludo estão entre as buscas mais constantes dos consultórios de dermatologia. Maria Ligia explica que é preciso consultar um profissional para examinar o couro cabeludo e fazer exames de sangue para verificar se há algo a mais que possa estar piorando a queda. “Para tratamento, usamos medicações orais e tópicas, além de xampus específicos a cada problema. No consultório, podemos lançar mão de procedimentos como laser e aplicação para reduzir a queda, ajudar a nascer cabelos e fortalecer os fios”, explica.

Medidas para manter o equilíbrio entre corpo e mente, para controlar o estresse e a ansiedade, são também o ideal para deixar os fios mais firmes. Hábitos de vida saudáveis, uma boa alimentação, dormir bem, fazer exercícios físicos e criar uma rotina são algumas das dicas da profissional. “Aproveite o tempo livre, se for o caso, para realizar atividades para as quais não sobra tempo normalmente e para ficar mais com a família”, orienta.