Existe um momento certo para iniciar a transição? Quais produtos preciso comprar para o meu cabelo? Qual procedimento é ideal? A resposta para todas as perguntas é: depende de cada caso. A cabeleireira Karla Queiroz explica que, para cada pessoa, existe um atendimento personalizado e uma análise das especificidades dos fios. O processo da transição capilar é algo individual, assim como as necessidades de cada tipo de cabelo, e o período de isolamento social pode ser o empurrãozinho que faltava para alguns iniciarem o processo. “Tenho recebido muitas mensagens nos últimos meses para tirar dúvidas. Não estou atendendo no momento, mas estou fazendo explicações de forma on-line”, conta.

Entre as mensagens que mais têm recebido durante a quarentena, a insegurança permeia a maioria. “O medo é o que mais assombra as mulheres na transição. Receio do que está por vir, de como é a textura desse cabelo, se vão conseguir cuidar”, diz. Entre as orientações da profissional, está a tomada de consciência de que os produtos precisam mudar. “Não dá para usar os mesmos produtos de um cabelo liso. Evitar os xampus à base de petrolato, de óleo mineral, silicones.” Outra recomendação é não utilizar secador e chapinha durante o período de transição. “Por isso falo muito sobre ter paciência. Não indico nem escova nem chapinha, porque elas tendem a fazer o alisamento térmico e mecânico.”

A cabeleireira Ana Regina Faria frisa que a hidratação é fundamental durante o processo. “Ela desempenha o papel de tratar os fios e mantê-los saudáveis e brilhosos durante a transição capilar. Em uma máscara, o ideal é que pessoas busquem por produtos que tenham em sua composição ativos para hidratar, nutrir e reconstruir os fios, como óleos, queratina, babosa, etc.”, explica. Outra recomendação é o ritual de cronograma capilar. “É basicamente uma agenda de tratamentos onde se intercalam hidratação, nutrição e reconstrução”, acrescenta.

Em relação aos xampus, Ana Regina não recomenda utilizar os de limpeza profunda ou anticaspa. “A sugestão é que use xampu hidratante e nutritivo, pois os cabelos cacheados ou quimicamente tratados são mais ressecados”, explica. A técnica explica que o fim de uma transição é quando não sobrar nenhuma parte de cabelo com química, sem tempo determinado. “Para o processo, têm pessoas que optam pelo big chop, que é a escolha de cortar, de uma única vez, as partes do cabelo quimicamente alisadas. Outra maneira possível é cortar aos poucos para tirar a textura diferente dos fios, apostando no cronograma capilar, sem radicalizar o visual”, completa.