Não foi por acaso que nos Estados Unidos ele ganhou o apelido de “lifting do vampiro”. Popularizado por celebridades como Kim Kardashian e Luciana Gimenez, o uso da fibrina rica em plaqueta (PRF, sigla do inglês platelet rich fibrin) é tido como um dos tratamentos mais modernos que prometem o rejuvenescimento da pele. O procedimento consiste em retirar o sangue do paciente, centrifugá-lo, extrair o plasma e injetar esse plasma de volta na pessoa, no caso, no rosto.

“Ao ser aplicado, ele vai atuar como um bioestimulador, provocando a multiplicação celular de células de cicatrização e formadoras de colágeno”, explica o cirurgião-dentista Mateus Simões. A promessa é de que o procedimento ajude tanto na cicatrização de cirurgias e de feridas quanto no rejuvenescimento da pele, pois o nível de colágeno volta ao de uma pele jovem. “É um procedimento embasado em décadas de estudos científicos e com resultados comprovados, já muito utilizado na Europa e na América do Norte”, garante o especialista.

O uso da técnica tem crescido no Brasil, apesar das polêmicas. Seus críticos apontam a falta de evidência científica de eficácia e os riscos de infecções. Em 2015, o Conselho Federal de Medicina decidiu que o uso deveria ser experimental e no tratamento de algumas doenças específicas, sem fins comerciais. Porém, o Conselho Federal de Odontologia permite o uso pelos dentistas. Uma resolução do órgão liberou a utilização de “agregados plaquetários autólogos”. É amparados nessa resolução que os dentistas hoje trabalham.

“O cirurgião-dentista está regulamentado pelo CFO desde janeiro de 2015. Sobre os outros profissionais da saúde, seria interessante que eles também recebessem a regulamentação para atuarem nas feridas, nas articulações e na manutenção de todo e qualquer tecido corporal”, ressalta a cirurgiã-dentista Karyne Magalhães. A profissional argumenta que o procedimento é minimamente invasivo, biocompatível, seguro e efetivo, além de ter custo menor se comparado aos convencionais.

Atraído pela boa repercussão da técnica nas redes sociais, o influenciador digital Henriki Borges, de 21 anos, resolveu se submeter ao novo procedimento estético. “O dentista colhe o sangue, que é centrifugado no próprio consultório. Depois vem a aplicação do plasma. Você não sente dor e já pode voltar ao trabalho no mesmo dia”, conta. O rapaz - que está na segunda de três sessões - diz ter sentido melhoras no aspecto, em especial na região em torno dos olhos.

Quando feito em cirurgias, o tratamento serve para estimular a acelerar o processo de cicatrização. “Na estética, tem a função de melhorar e aumentar o nível de colágeno na pele. Isso dá maior sustentação, elasticidade e hidratação. Deixando com aspecto jovem novamente, tratando rugas e marcas de expressão. O PRF pode ser usado também para a melhora nas cicatrizes de acne, olheiras e manchas”, enumera Mateus Simões.

Força na produção de colágeno

Durante o uso da fibrina rica em plaqueta, o sangue é retirado do braço do paciente, no consultório, e levado a uma centrífuga, na qual se separa o plasma (líquido amarelado) dos glóbulos vermelhos (líquido vermelho). Feito isso, o profissional injeta a parte amarelada nas partes do rosto onde há sinais de expressão. É no plasma que se concentram as plaquetas, que são fragmentos do sangue capazes de estimular células que ativam a produção de colágeno, proteína responsável por manter a pele firme.

“O protocolo de tratamento básico é de três sessões, com intervalo de 15 dias entre elas. Alguns casos, vão exigir mais de três sessões para chegarmos ao resultado desejado. Esse protocolo deve ser repetido anualmente”, explica o cirurgião-dentista Mateus Simões. O efeito na pele surgiria após três semanas e duraria 15 meses, em média. Ele explica que, por ser um produto do organismo do próprio paciente sem aditivos químicos, não há contraindicação, reação alérgica ou área de risco.

Multiplicação celular

A única contraindicação ao uso da fibrina rica em plaqueta é para pacientes com diabetes que não cuidam do nível de glicose no sangue ou hipertensos que não mantêm a pressão controlada. “Pessoas em tratamento de câncer também não podem, uma vez que o material que será aplicado é um estimulador da multiplicação celular”, explica Mateus Simões. Para a dentista Karyne Magalhães, pessoas com distúrbios sanguíneos e aqueles que têm fobia a agulhas também não devem ser submetidos ao procedimento.

Alguns fatores como a idade do paciente, os hábitos de vida e de como está a pele serão fundamentais no resultado. “As manutenções também são imprescindíveis. Esse não é tratamento definitivo, assim como o tratamento com ácido hialurônico não é. As manutenções podem e devem ser realizadas de duas a três vezes ao ano”, orienta Karyne. A aplicação custa em média a partir de R$ 1,2 mil. Pesquisar bem sobre o assunto e escolher profissionais habilitados fazem toda diferença na hora do tratamento.