Depois de 28 dias de exposição no Museu das Bandeiras, na Cidade de Goiás, é a vez do público de Goiânia apreciar as obras restauradas de Octo Marques, entre 24 de agosto e 21 de setembro, na galeria que leva seu nome, no Pathernon Center.

O evento é uma maneira de, novamente, revelar o trabalho desse artista que produziu mais de 2 mil peças ao longo de 73 anos de vida, entre bicos de pena, aquarelas, óleo sobre tela, xilogravuras e cerâmicas. As obras representam uma fase importante da arte no estado de Goiás e a exposição será uma oportunidade especial para que a população tenha acesso a esse conteúdo.
 
Acessibilidade

Todas as obras selecionadas para a exposição, além de terem sido higienizadas, restauradas e colocadas em molduras apropriadas, também foram replicadas em telas táteis, que são cópias da pintura original, mas com uma aplicação de tintas em alto relevo, próprias para serem tocadas, por exemplo, por pessoas cegas, que queiram compreender os traços e imagens que as compõem. Além disso, todas as telas táteis contam com uma legenda em braile, que descreve aquela obra e fala sobre suas características técnicas e históricas.

"Neste tempo em que estamos, é necessário sabermos que o direito de usufruir de bens culturais é de todos. Precisamos compreender que existem demandas diferentes, por exemplo, para pessoas com deficiências, e que elas também precisam ser contempladas em todas as áreas da nossa sociedade. É uma questão de respeito e de cidadania. Estamos muito orgulhosos por esse trabalho e pela repercussão tão positiva", conta a produtora Luana Otto.

Ao todo, são 11 telas com temáticas regionalistas, com detalhes de cunho social, ambiental ou arquitetônico agregado, com marcas de um primitivismo discreto e vibrações parecidas com as de obras expressionistas, produzidas entre os anos de 1976 e 1985, sendo 10 delas coloridas, de tinta sobre tela, e um desenho de bico de pena, em papel. Os tamanhos das telas variam entre 22cm até um metro de largura, por alturas que variam entre 16cm e 73cm.

Quem foi Octo Marques
 
Nascido em 1915, na Cidade de Goiás, então capital do estado, a importância de Octo Marques está relatada em livros e matérias que relembram sua trajetória. Autodidata em desenho, pintura, xilogravura e cerâmica, Octo também foi jornalista e contista. Fundou a Associação Goiana de Imprensa (AGI) e a Escola de Artes Veiga Valle, na Cidade de Goiás. Começou a carreira de artista aos 7 anos, pintando cenas para os romeiros das festas de Trindade. Em 1934 mudou-se para o Rio de Janeiro onde foi colaborador e ilustrador da revista Vida Doméstica.

Em 1936, já no município de Campinas, em São Paulo, cursou o Instituto Cesário Motta e operou como “foca” nos principais órgãos da imprensa local. No ano seguinte, mudou-se para a capital paulista e trabalhou como revisor de O Estado de São Paulo. Em 1938 voltou para Goiás e atuou como escriturário na extinta Diretoria Geral de Produção e Trânsito. Passou a residir no bairro de Campinas. Em 1943 demitiu-se do emprego público e retornou à “Vila Boa”. Em 1945 empregou-se na prefeitura municipal de Goiás. Se aposentou em 1973. Durante todo esse tempo, colaborou, ainda, nos jornais O Popular e Folha de Goyaz. 

Apesar da trajetória profissional e artística consistente, Octo Marques levou uma vida sacrificada. Passou por episódios de preconceito e discriminação relativos à sua maneira humilde de se portar no mundo e morreu em uma espécie de autoexílio, sem riquezas, poder ou repercussão.