A história da índia Iaçã, amplamente conhecida no Norte do Brasil, está sendo recontada em quadrinhos para a campanha Natal solidário realizado pela marca goiana Fast Açaí. Na ação, dez mil gibis são oferecidos nos pontos de venda das franquias da rede até 31 de janeiro de 2019. Cada exemplar será comercializado a um valor simbólico de R$ 3,50, com meta de arrecadar a quantia de R$ 10 mil para o Hospital Araújo Jorge, de Goiânia. 

Com ilustrações do publicitário Leonardo Gomes, também responsável pelo desenvolvimento da campanha, a HQ “A Lenda do Açaí” conta de forma lúdica a história da jovem índia Iaçã (açaí de trás para a frente) que foi obrigada a sacrificar sua filha para salvar sua tribo da fome. O trabalho também contou com a contribuição de Orlando Carvalho e João Paulo Ferreli. Por meio do lúdico, a história tem o propósito de propagar pelo Brasil a importância cultural do açaí para a região Norte do Brasil. 

O açaizeiro é nativo das florestas inundáveis do delta do rio Amazonas, onde é naturalmente abundante, e seus frutos, ricos em antioxidantes, têm sido até hoje um alimento básico das comunidades tradicionais da Amazônia, em especial as indígenas. Há duas décadas, de um alimento antes consumido só entre a população da região Norte do Brasil, o açaí virou moda em todas as demais partes do país, e hoje é um dos principais itens de exportação. 

A lenda

Há muitos anos, na floresta Amazônica, onde hoje está localizada a cidade de Belém do Pará, existia uma populosa nação indígena que não parava de crescer. Isso acarretou na escassez de alimentos. Para resolver o problema o líder dessa grande tribo, o cacique Itaki, tomou uma decisão drástica. Daquele momento em diante, para que não faltasse alimento aos mais velhos, as crianças que nascessem deveriam ser sacrificadas. E assim foi até que a filha do própria cacique, uma jovem chamada Iaçã engravidou e se viu diante da difícil tarefa de ter que sacrificar sua filhinha recém-nascida.

Após cumprir o que determinou o seu pai e cacique da tribo, a dor de não poder criar sua filha consumiu Iaçã, que chorava todas as noites de saudades. Depois de ficar vários dias enclausurada em sua oca, a jovem pediu ao deus Tupã para mostrar a seu pai uma forma de alimentar seu povo sem ter de sacrificar os pequeninos. Sensibilizado com a dor de Iaçã, Tupã decidiu mostrar outro caminho. Numa noite de lua cheia, a filha do cacique ouviu do lado de fora de sua oca o choro de uma criança. Ao averiguar ela viu sua filha junto à palmeira e foi abraçá-la. Instantes depois a criança desapareceu. Inconsolável, Iaçã chorou a noite inteira, até desfalecer.

No dia seguinte, o corpo de Iaçã foi encontrado abraçado ao tronco da palmeira. No rosto da índia, um semblante sereno, até mesmo feliz. Seus olhos negros fitavam o alto da palmeira, que estava repleta de pequenos frutos escuros. Interpretando o ocorrido como uma mensagem do deus Tupã, o cacique Itaki mandou apanhar os frutos roxos. Com eles, preparou um suco e mandou dar a todos na tribo. O alimento tinha um forte poder nutritivo e poderia alimentar toda a tribo por dias. Em homenagem a filha, o cacique Itaki deu o nome aos frutos daquela palmeira de açaí, ou seja, o nome Iaçã escrito de trás para frente.