Desde março de 2020, os professores vêm enfrentando inúmeros desafios devido ao sistema não presencial de aulas imposto pela pandemia. Após um ano de experiências e muitas dificuldades de adaptação ao ensino remoto, os professores ainda buscam se adequar à aprendizagem tecnológica. Nesses últimos meses, com a chegada da imunização contra a COVID-19, a vacina é a principal preocupação.

Atualmente, a taxa de contaminação entre crianças e adolescentes é bem maior que no começo desta crise sanitária que atingiu o mundo todo. Neste cenário, avaliam representantes da categoria, o ideal é que as aulas só retornem presenciais após a vacinação. “Não é possível pensar em volta às aulas presenciais no momento em que você tem três variantes do novo coronavírus, que, inclusive, são muito mais contagiosas e letais”, argumenta Railton Nascimento, presidente do Sindicato dos Professores do Estado de Goiás (Sinpro-GO).

Presidenta do Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Goiás (Sintego), Bia de Lima cobra, oficialmente, no site da entidade, uma posição do poder público acerca da imunização. “Queremos que a Assembleia (Legislativa) possa colocar os/as profissionais da Educação na ordem prioritária para serem vacinados, tendo em vista que anseiam por aulas presenciais, mas aulas presenciais mediante vacina. Estamos perdendo muitos colegas de trabalho para a COVID-19”, afirma a líder classista.

Sobrecarga
Você já percebeu o quanto o professor teve que se sacrificar neste último ano? Aprender de maneira muito rápida, se desdobrar, reinventar metodologias de ensino? A missão foi cumprida, mesmo diante da redução de direitos e de salários, do medo do desemprego. Aumentaram, sim, as horas de trabalho, como no caso da professora de Artes, Mariana Soares Leme, de 36 anos.

Apesar de tentar organizar o tempo, ela conta que trabalha bem mais, hoje, do que quando estava presencialmente na sala de aula: “Passo algumas horas dando devolutivas das atividades que os alunos postaram e temos reuniões semanais para planejamento e formação”. Mariana acorda às 7 horas e segue até as 18h30 sentada diante do Chromebook fornecido pela rede municipal de Campinas, no interior de São Paulo, onde trabalha.

Em Goiânia, no escritório improvisado no quarto das filhas, o professor de Geografia Renato Campos dos Santos, de 37 anos, passa oito horas por dia ou mais em frente ao notebook, ministrando aulas remotas e em atendimento a estudantes que não conseguem acompanhar as atividades online. Enquanto grava vídeos ou está online, diz ele, a filha mais velha, de 3 anos, grita; a mais nova, ainda bebê, chora; os cachorros latem; o carro do ovo passa em frente à sua casa com um potente alto falante.  “E, às vezes, é preciso gravar tudo de novo”, acrescenta.

De professores, os profissionais da Educação passaram a ter obrigações que deveriam ser de um psicólogo, psicopedagogo, gestor escolar, enfim ... a jornada de trabalho parece não ter fim. “A sensação é que não há descanso e é difícil tanto para mim quanto para a família toda, que termina envolvida no processo porque tem que mudar a maneira como se comporta dentro de casa”, avalia o professor Renato.

O presidente do Sinpro-GO, Railton Nascimento, destaca que as queixas dos professores acerca da sobrecarga de trabalho são pertinentes. Segundo ele, os horários vêm sendo desrespeitados pelas instituições de ensino de tal modo a resultar em problemas de saúde para os profissionais de Educação – com evidente aumento dos casos de depressão e estresse durante esse primeiro ano de pandemia. De acordo com Railton, o Sinpro-GO recebeu “centenas de pedidos de socorro” da categoria, demandas que chegam à entidade por whatsapp e e-mail 24 horas por dia.

Letícia Leite e Mateus Marques são estudantes do 5º período de Jornalismo da UniAraguaia, sob orientação da professora Patrícia Drummond