Houve um tempo em que a simples presença do celular em sala de aula era motivo de irritação para muitos professores. Hoje, 30 anos após a chegada do aparelho no Brasil, em 1990, o item antes proibido, passou a ser um importante aliado no processo de ensino-aprendizagem e, após a experiência da pandemia da COVID-19, essencial para a garantia do acesso à Educação. Com a necessidade do ensino remoto e o avanço do ensino híbrido, que mescla o presencial com atividades a distância, o desafio agora é compreender como avançar na aplicação das tecnologias no cotidiano escolar.

Apesar de ainda existir resistência por parte de docentes e outros profissionais da área, é cada vez mais claro que as tecnologias são fundamentais para facilitar a aprendizagem. Elas podem oferecer vantagens, como a aproximação do estudante com a sociedade em que vive e transpor os muros do ambiente escolar. Quase um ano após o início do ensino remoto emergencial, fica difícil imaginar a escola sem a utilização dessas novas mídias e softwares, seja para que parte das aulas ocorram de maneira online, seja para reforçar e consolidar o conteúdo que será debatido em sala de aula.

Como são grandes, ainda, as confusões e polêmicas em torno do tema, é importante deixar claro que o uso das tecnologias não substitui os professores, que seguem como atores fundamentais na educação, mas exige deles um novo preparo para que saibam como utilizar tais ferramentas para tornar a aula mais atrativa e dinâmica, despertar a curiosidade dos estudantes e contribuir para o aproveitamento do aprendizado extraclasse.

A pedagoga e professora universitária, Sabrina Oliveira, destaca que o retorno à sala de aula convencional não será mais uma opção e, por isso, é preciso investir na formação de professores para que possam utilizar essas tecnologias como parte ativa do processo educacional.

“As tecnologias aplicadas ao contexto escolar abrem um mar de possibilidades e vantagens pedagógicas. Tivemos experiências fantásticas no ano que passou e seguimos com o uso contínuo de vários recursos tecnológicos. Trabalhamos com a gravação de podcast, fizemos jogos, utilizamos programas de elaboração de mapas mentais virtuais, sites para elaboração de revistas digitais, aplicativos de realidade aumentada etc. Percebemos que os recursos digitais ampliam imensamente as possibilidades no âmbito educacional”, avalia.

Outra vantagem apontada pela pedagoga é proporcionar ao estudante ocupar também o lugar de produtor do conhecimento e não apenas consumidor passivo do conteúdo apresentado pelo professor. “Todos os anos na Universidade da NASA, nos Estados Unidos, recebem trabalhos de estudantes de vários países do mundo, que serão julgados de acordo com a relevância para a sociedade. O trabalho vencedor de 2020 passado foi realizado por um professor de Goiânia, junto com seis alunos do Ensino Médio, em robótica. O que quero mostrar com essa história é como, de forma ativa, a tecnologia ajuda no desenvolvimento escolar.”