Presencial ou EaD (Ensino a Distância). Até o início da pandemia, em março de 2020, eram estas as duas modalidades de ensino legalmente previstas no Brasil. Com a imposição das medidas restritivas de segurança e saúde sanitária em todo o País, foi necessário pensar, de forma rápida e assertiva, em alternativas para manter, sem prejuízo para estudantes e professores, toda uma rotina pedagógica e educacional de provas, práticas e estágios, que eram realizados presencialmente.

“O grande desafio das instituições de ensino era não poder migrar os cursos para EaD e, ao mesmo tempo, manter o ensino”, destaca o advogado especialista em Direito Educacional e vice-diretor Pedagógico da UniAraguaia, Hamilcar Costa.

Diante do cenário, e com sua experiência na área, Hamilcar encontrou a solução para o problema. Fez uma proposta de resolução criando o Regime Especial de Aulas Não Presenciais (REANP), mantendo os cursos no formato presencial e utilizando de tecnologias para manter as aulas, o tempo de aula e a carga horária. A experiência que teve a UniAraguaia como precursora foi reconhecida pelo Conselho Estadual de Educação do Estado de Goiás (CEE) e o órgão acabou por implantar também, via resolução, o REANP.

Mas o novo modelo de ensino que deu certo, em Goiânia, no enfrentamento da pandemia, extrapolou os limites do Estado. Com base na experiência do Conselho de Educação Goiano - movido pela UniAraguaia - o REANP chega, hoje, também aos Conselhos Estaduais de Educação de Minas Gerais, Mato Grosso, Rio Grande do Norte, Pará, Rio Grande do Sul, São Paulo, Paraná, Distrito Federal e Espírito Santo, assim como ao Conselho Nacional de Educação (CNE), com denominação semelhante: não presencial.

“A UniAraguaia teve e tem um papel fundamental, porque, logo de início, quando fizemos nosso primeiro diagnóstico de êxito no REANP, iniciamos a formação de professores, para Goiânia e para todo o Brasil”, explica Hamilcar Costa.

REANP versus EaD: saiba a diferença

No REANP, as aulas são ministradas ao vivo. O professor, juntamente com os alunos,  reúnem-se em um ambiente virtual estabelecido previamente. O horário de início, fim e duração das aulas são os mesmos já definidos no regime presencial. Os discentes podem tirar dúvidas a qualquer momento com os professores, que estão, o tempo todo, presentes na sala virtual. É possível, ainda, a realização de atividades, seminários, palestras, eventos e mostras dentro do espaço virtual.

Já no modelo de Ensino a Distância (EaD), as aulas são pré-gravadas e disponíveis em uma plataforma de ensino chamada Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA). Os estudantes podem assistir às videoaulas no momento em que considerarem conveniente; não é necessário o comprometimento com horários programados. Na maioria dos casos, o contato com o docente para elucidação de dúvidas precisa ser agendado previamente.

Portal NetEscola, AVAH e distribuição de atividades impressas

No início da pandemia, em 2020, a Secretaria de Estado da Educação (Seduc) disponibilizou ferramentas digitais para auxiliar alunos e professores na nova realidade das aulas não presenciais. Por meio do Portal NetEscola, segundo a secretária estadual de Educação, Aparecida de Fátima Gavioli Soares Pereira, além dos professores e estudantes da rede estadual, profissionais de outras redes de ensino acessam videoaulas, listas de exercícios e materiais didáticos-pedagógicos disponibilizados. “São mais de 3 milhões de acessos”, sublinha Fátima Gavioli.

Já na rede pública municipal, de acordo com o secretário de Educação de Goiânia, Wellington de Bessa Oliveira, as escolas vêm realizando atendimentos que correspondem à realidade de cada aluno, respeitando a singularidade familiar e socioeconômica cultural. “Adotamos recursos como o Ambiente Virtual de Aprendizagem Híbrido (AVAH), mas também distribuímos, às famílias, atividades impressas, para aqueles que não têm acesso à internet, com cronograma de entrega e devolução previamente agendada nas unidades educacionais, garantindo a acolhida e orientações pedagógicas”, afirma o secretário Bessa.

Nayú Fernandes é estudante de Jornalismo da UniAraguaia sob orientação da professora Patrícia Drummond