Na visão de Pedro Demo e de outros Educadores brasileiros – e estamos na mesma linha de raciocínio que eles – o professor precisa estudar com afinco para estar sempre renovando as teorias e práticas pós-modernas de aprendizagem, para poder postar-se à frente dos tempos e oferecer ao aluno o que há de melhor. Precisa ser o exemplo consumado de quem sabe aprender, para poder fazer o aluno aprender e deve servir à causa maior da geração de oportunidades para as novas gerações. 

A didática contemporânea compete em proceder a uma leitura crítica da prática social de ensinar, partindo da realidade existente, realizando um balanço das iniciativas de se fazer frente ao fracasso escolar. No caso da educação escolar, constatamos no mundo contemporâneo que o crescimento quantitativo dos sistemas de ensino não tem correspondido a um resultado formativo adequado às exigências da população envolvida, nem às exigências das demandas sociais, o que coloca a necessidade da importância de se definir uma nova identidade do professor. A identidade profissional se constrói a partir da significação social da profissão e pela revisão contínua dos significados e das tradições. É preciso mobilizar os saberes da experiência, analisá-los, confrontá-los com a teoria e produzir novos conhecimentos também a partir deles.

Assim, o professor deve buscar a consciência clara da concepção pedagógica que orienta sua prática educativa e reafirmar o compromisso político junto aos seus alunos. Se trabalha com alunos que vivem em situação de risco social, precisa trabalhar a favor deles. Deve oferecer-lhes o melhor ensino, pois o domínio do conhecimento conduz à autonomia e representa um instrumento de libertação para os menos favorecidos. Atualmente, exige-se o redimensionamento da prática pedagógica de caráter interdisciplinar, aberta, lúdica e criativa. Tal proposta só pode ser viabilizada com sucesso na visão do trabalho coletivo que se orienta numa nova concepção de educação que comunga com os novos paradigmas educacionais, pautado pelos princípios da qualidade e da inclusão social. É necessário que o professor, e eu me coloco entre estes, supere a ideia de que existe uma única forma de ensinar e um único ritmo e tempo de aprender.

Os professores bem formados têm mais capacidade de decisão e intervenção. Por isso é necessário propiciar discussões no decorrer do processo de formação sobre o Projeto Pedagógico, autonomia, identidade e profissionalização dos professores, a ação coletiva  e interdisciplinar, questões de gênero, movimentos populares e reivindicatórios, papel do sindicato na formação. Todos esses temas devem ser articulados com os contextos institucionais e a políticas educacionais e confrontados  com  experiências de outros contextos escolares e com teorias sociais.

É certo que o professor contribui com seus saberes, seus valores, suas experiências nessa complexa tarefa de melhorar a qualidade social da escolarização. Concordamos com o educador Dermeval Saviani quando ele destaca que, na educação, os problemas se agravam e as contradições se aprofundam, evidenciando a necessidade de mudanças sociais mais profundas. É preciso  destacar, também, nestas reflexões,  que a prática docente deve ser alvo de reflexão permanente e pode ser objeto de estudo e investigação permanente, superando a dicotomia entre a teoria e a prática, valorizando as experiências e vivências dos docentes. 

Por fim, entendo que a democratização do ensino, aqui compreendida com a democratização do saber  no espaço da sala de aula, passa por nós,  professores, pela nossa formação, mas também, pela nossa valorização profissional e pelas condições dignas de trabalho docente.

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*Prof. Dr. Antonio Evaldo Oliveira
Docente da Uni Araguaia - Pedagogia