Dorina de Gouvêa Nowill é uma das pessoas mais importantes para a promoção da inclusão educacional de pessoas cegas e de baixa visão. Nascida em São Paulo em 28 de maio de 1919 e falecida em 2010, foi educadora, filantropa e administradora, sendo considerada como grande pioneira da educação por ter trazido o primeiro livro em braile para o Brasil. Por meio do seu esforço, conseguiu que pessoas, assim como ela, pudessem estudar e construir uma educação digna.

Ela ficou cega aos 17 anos, em virtude de uma doença não diagnosticada. A cegueira não a impediu de seguir sua carreira na área da educação. Em 1945, quando cursava o magistério para se formar como professora, convenceu a Escola Caetano de Campos a inserir o primeiro curso de especialização de professores para o ensino de cegos.

Como nessa época não havia livros em braile, Dorina estudou assim como os demais estudantes. Após se formar, viajou para os Estados Unidos para frequentar um curso de especialização na área de deficiência visual na Universidade de Columbia.

Retornando ao Brasil, concentrou-se na fundação da primeira imprensa braile de grande porte no país, sendo uma das principais fontes de renda da fundação, que produziu mais de 80% dos livros do Ministério da Educação para deficientes visuais, além de receber grandes encomendas de outras áreas, como restaurantes e instituições de segurança de companhias aéreas.

Fundação

A Fundação Dorina Nowill é uma organização sem fins lucrativos e de caráter filantrópico, criado há mais de 70 anos, dedicando-se à inclusão social de pessoas com deficiência visual. Por meio da produção e distribuição gratuitas de livros em braile, falados e digitais acessíveis, para o público e também para cerca de 3 mil escolas bibliotecas e organizações de todo o Brasil.

A entidade oferece, gratuitamente, serviços especializados para pessoas com deficiência visual e suas famílias, nas áreas de educação especial, reabilitação, clínica de visão subnormal e empregabilidade. Produziu mais de seis mil títulos, imprimiu dois milhões de volumes em braile e mais de mil títulos neste sistema. Também foram produzidas mais de 2,7 mil obras em áudio e cerca de outros 900 títulos digitais acessíveis.

Nos serviços de clínica de visão subnormal, reabilitação e educação especial, já são mais de 38 mil pessoas atendidas. A fundação conta com o apoio de doações, voluntários, amigos e patrocinadores que acreditam na missão da fundação e ajudam a fazer desse trabalho uma referência de inclusão social das pessoas cegas e com baixa visão.

Dorina Nowill morreu aos 91 anos, vítima de uma parada cardíaca, no dia 29 de agosto de 2010. Estava internada havia cerca de quinze dias no Hospital Santa Isabel, na zona oeste de São Paulo, para tratar uma infecção. O velório foi realizado na sede da fundação que leva seu nome. A educadora deixou cinco filhos e doze netos.

Tiago Teixeira é aluno do 7º período de jornalismo, sob orientação da professora Ana Maria Morais