A sala de aula em que o professor explica e, passivos, os estudantes anotam o conteúdo está em extinção. Principalmente após a pandemia da COVID-19, que trouxe a necessidade de expandir a escola para o espaço doméstico com o ensino remoto, a figura do educador com sujeito que apenas transmite conhecimento deixou de fazer sentido. Isso porque o estudante é o verdadeiro protagonista do processo ensino-aprendizagem e, apenas quando for reconhecido como tal, o processo de Educação irá de fato acontecer.

Se Paulo Freire já dizia que o diálogo é fundamental para a Educação, as metodologias ativas partem desse princípio para promover um processo de aprendizagem que considere as peculiaridades de cada estudante, as diferenças culturais entre os sujeitos, enfim, a pluralidade presente em uma sala de aula. Sala de aula essa que se expandiu para ocupar toda a vida do aluno. O processo de aprendizado é contínuo e não ocorre somente quando o estudante está na escola, ocorre em todos os espaços de vivência dessa criança, adolescente ou adulto.

Considerando esse protagonismo do estudante, as metodologias ativas surgem como alternativa às metodologias tradicionais para construir um processo de aprendizagem que seja flexível, interligado e híbrido. É o que explica o professor e psicólogo, André Carvalho Lindemam, professor do Centro Universitário Araguaia – UniAraguaia, coordenador do Núcleo de Inovação e Tecnologias Educacionais e do curso de pós-graduação em Ensino on-line: metodologias ativas e tecnologias educacionais.

“A ênfase na palavra ativa está associada à aprendizagem reflexiva, que serve para tornar mais visível esse processo em que o professor tem ciência do que o estudante realmente está aprendendo com cada atividade. O processo de ensino-aprendizagem acaba se convertendo em um processo de pesquisa constante por parte dos educadores e dos alunos, de criação, de reflexão e compartilhamento cada vez maior. O aluno sai de um papel passivo para um papel ativo e se torna protagonista”, explica.

O especialista lembra que a participação dos estudantes é fundamental, enquanto agentes ativos na construção do conhecimento. Assim, cada conteúdo trabalhado será pensado de um ponto de vista reflexivo, ou seja, o estudante vai criticar, entender melhor com a mediação do professor. Outro ponto positivo das metodologias ativas é o desenvolvimento da criatividade, uma vez que os estudantes se tornam pesquisadores, descobridores e realizadores. Conseguem desenvolver novos pontos de vista, atuar de forma direta na construção do conhecimento.

“Quando utilizamos metodologias ativas, nós, educadores e os estudantes, estamos em um processo constante de aprendizado. É uma perene participação em um processo de aprender a aprender”, conclui André Lindemam.

Para a pedagoga Eliane Siqueira, professora do curso de pós-graduação em Metodologias Ativas da UniAraguaia, que tem 24 anos de experiência no Ensino Básico, há uma necessidade urgente de resgatar o engajamento dos estudantes com o espaço escolar. “Uma palavra muito importante quando falamos de metodologias ativas é engajamento. Porque se o estudante se sente protagonista de seu processo de aprendizagem, se sente parte da escola e, principalmente, se sente ouvido no espaço escolar, ele vai vestir a camisa da escola e a escola passa a funcionar como um organismo vivo em que todos atuam de maneira ativa”, explica a especialista.

Metodologias ativas e tecnologias
Ao contrário do que muitos acreditam, a utilização de tecnologias de comunicação, tais como celulares e internet, não são necessárias para caracterizar as metodologias ativas. Durante a pandemia da COVID-19, por exemplo, muitas escolas tiveram dificuldade porque alguns estudantes não tinham acesso à internet. Assim, ouvimos relatos de professores que foram até a casa desses estudantes levar as atividades. Essa é uma forma de metodologia ativa. “Se eu não tiver internet ou computador posso ter uma estratégia ativa de aprendizagem. Não é o aparato tecnológico que vai fazer a diferença, e sim a postura e o planejamento do professor”, explica Eliane Siqueira.

Dicas de uso de metodologias ativas em sala de aula
São inúmeros os métodos de aplicação das metodologias ativas. Aqui, destacamos algumas possibilidades elencadas pelo psicólogo e professor, André Carvalho Lindemam. Ele ressalta a importância de que o professor conheça bem esses métodos para definir quais utilizar de acordo com o público-alvo, os objetivos estabelecidos para que os estudantes se apropriem do conhecimento e os recursos disponíveis. Conheça alguns desses métodos.

Sala de aula invertida – Modelo em que o estudante tem acesso ao conteúdo de forma antecipada, seja de forma online ou presencial.  O método faz com que o aluno tenha um conhecimento prévio do que será abordado em sala de aula.

Aprendizagem baseada em projetos – A metodologia exige que estudantes coloquem a mão na massa. O professor apresenta questões-problemas e solicita possíveis propostas de solução para esse problema. Os estudantes seguem investigando como chegar a uma solução adequada.

Aprendizagem em times – Tem por finalidade formar equipes dentro das turmas e trabalhar um estudo de caso, ou projeto, em que os estudantes consigam resolver os desafios de forma colaborativa, aprendendo uns com os outros.

Aprendizagem baseada em Problemas (PBL) – Resolução colaborativa de desafios. É apresentado um desafio aos estudantes, que vão apresentar soluções dentro de um contexto específico. É uma metodologia que incentiva muito a reflexão, a criatividade e incentiva o trabalho em equipe.

Gamificação – Consiste em trazer os jogos para a sala de aula. É uma metodologia muito utilizada para gerar engajamento e mobilizar os estudantes em torno do processo de ensino-aprendizagem. Tem algumas características importantes, como regras claras, missões e desafios bem definidos, prêmios ou pontuações, além de dinâmicas atrativas e inteligentes. O jogo pode ser utilizado de forma individual ou em equipes.  Tem um resultado muito bom para conquistar o engajamento dos estudantes e aqui o professor funciona como um orientador que incentiva os alunos a participar e por isso precisa planejar bem antes, escolhendo dinâmicas atrativas.