Na Avenida Mambaí, esquina com a futura Avenida Parque Cidade que será implementada para dar acesso ao Plateau d’Or, há um espaço reservado para a contemplação e inspiração. É nesse exato ponto na região dos condomínios horizontais da saída para Bela Vista que uma gigante obra de arte a céu aberto será realizada.

Batizada como “Monumento da Generosidade” ela é assinada pelo arquiteto mineiro Gustavo Penna, conhecido internacionalmente por assinar inúmeros projetos de requalificação nas cidades que consideram sua história, sua cultura e seus valores. Suas respeitosas linhas arquitetônicas anunciam o futuro, mas sem desconsiderar o passado, criam estruturas admiráveis que atraem não somente o olhar, mas convidam à convivência e a interação.

Foi com essa marca que o arquiteto, no Concurso da Sede da Casa do Jornalista de Belo Horizonte nos anos 1980, tornou-se alvo da atenção do poeta Carlos Drummond de Andrade (1902-1987), que escreveu em uma crônica para o Jornal do Brasil: “Engenhosos, Penna e sua equipe inseriram no conjunto o arco de entrada da velha construção. Criaram assim um elo visível entre o passado e o tempo presente”.

Nas mãos do arquiteto, elementos construtivos viram símbolos e se transformam em obra de arte. Em 2014, Penna levou o primeiro lugar na categoria Projetos Culturais Futuros do World Architectural Festival, em Cingapura, com o Monumento à Liberdade de Imprensa (1996). Para Goiânia, sua intenção foi simbolizar o início de um novo jeito de se pensar o desenvolvimento urbano.

“Tudo começa com um toque, um pensamento que surge como um lampejo sem dimensão. Estamos trabalhando valores que não tem medida, mas que podem gerar grandes impactos positivos, especialmente quando princípios fundamentais são observados”, diz Penna fazendo referência ao projeto do Plateau d’Or, do Grupo Toctao, que será implementado na região.

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O projeto, que abrange área de 1,6 milhão de metros quadrados é fruto de um cuidadoso planejamento de dez anos, que contou com a colaboração de um dos escritórios de design urbano mais relevantes do mundo, o inglês Broadway Malyan. Além do condomínio horizontal com princípios aplicados de walkability e placemaking o projeto inclui a implantação de uma centralidade com serviços diversos abertos a vizinhança, contribuindo assim com a mobilidade urbana e o bem-estar de quem escolhe viver na região.

“Gosto de generosidades com a cidade, de iniciativas sensíveis e que a consideram à longo prazo. É o exercício diário de gentilezas contínuas que geram a generosidade”, observa ele, que se dedica atualmente a um novo livro intitulado “Generoscidades”, uma coletânea de intervenções que reverenciaram a cidade, geraram transformações, consideraram a diversidade, estimularam a convivência e despertaram sua autoestima.

“Uma cidade tem que ser amada, sentimento que é gerado a partir da identificação de seus moradores por ela. Os monumentos também possuem esse papel. Eles remetem a símbolos, mas também agregam à estética urbana e despertam o orgulho entre os seus”, diz.

O “Monumento da Generosidade” terá 15 metros de altura, 7,5 metros de largura e 36 metros de comprimento. Os volumes formam uma moldura assimétrica em menção ao enquadramento de um jeito sensível de se pensar a cidade e assumirá diferentes formas de acordo com a posição do sol. Será inaugurado em 2022.